Máquina administrativa

Ideias

autor

Filipe Fontes

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No corolário do processo eleitoral, que encerra com a tomada de posse dos novos mandatários da população, importa concluir regressando à essência das “coisas” de modo a nunca perder de vista a noção e o porquê da existência, acrescido (mas fundamental) do para quê essa mesma existência…
Como tal, importa relembrar o que é uma câmara municipal a razão de ser da sua existência e o fim que visa, não numa perspectiva puramente técnica ou iminentemente legalista mas, de uma forma simples e despreocupada do rigor científico, visibilizar a essência do “ser e fazer”, tão fundamentais para o nosso entendimento, tantas vezes arredados desse mesmo entendimento.

A cidade é um conjunto alargado de pessoas que, por necessidade, se agrupam e relacionam sobre um determinado espaço territorial. Ao longo do tempo, de génese tão simples, esta cidade foi-se complexificando, originando a economia, a sociedade e a cultura, num processo histórico de disseminação da chamada urbanidade.

Porque se tornou complexa, quer do ponto de vista social, económico e cultural, quer do ponto de vista físico - com os seus edifícios, vias e infraestruturas - quer ainda porque retrato de uma diversidade de pensamento e opções expressiva, à cidade ficou inerente uma necessidade e progressiva ideia de poder e administração. Poder e administração que permitisse uma organização do suporte físico à vida das pessoas, racional e útil, e uma articulação das relações sociais que potenciasse denominadores comuns na gestão da “coisa pública”, ou seja, na gestão de tudo aquilo que foi sendo construído e que ultrapassa o “eu” e “tu” e se centra no “nós”.

Afinal, o que é comum e comunitário. Numa extrapolação rápida, que condensa e se sobrepõe à história e à política, hoje, a câmara municipal é (no sistema político português) a face visível deste poder e desta administração das cidades e do território a que chamamos “local”…
Assim sendo, urge evidente que esta mesma câmara municipal existe em função das pessoas, existe por causa das pessoas, existe para servir as pessoas.

E porque este desafio, esta razão de ser se revela tão complexa quanto difícil, para possibilitar o respectivo funcionamento desta instituição, brotou desta uma complexa “máquina” administrativa, técnica e operativa de modo a assegurar uma resposta eficaz e assertiva ao grande objectivo fixado: servir as pessoas. “Máquina” esta que, para responder à miríade de solicitações, desafios e necessidades que foi encontrando, foi crescendo, ganhando estrutura e peso, conjugando flexibilidade e disseminação, acumulando saber e experiência, mas também um ensimesmamento e um autocentrismo que, hoje, torna relevante atender, controlar para não deixar de recentrar a actividade institucional na sua verdadeira essência: (repete-se) servir as pessoas.

Hoje, em nome desse crescimento e alargamento, como se diria (sem conotação pejorativa) aburguesamento, a “máquina” engordou de tal modo que tem necessidade de se alimentar a si própria num processo que, se por vezes aparenta ser autofágico, de facto, tantas vezes, se revela afastado da essência e razão de ser e existir desta instituição.

Hoje, não raras vezes, antes pelo contrário, são apresentadas como justificações inerências ao funcionamento da “máquina”, apresentando-a como o centro da actividade (que pode, “não deixa”, …) e relegando as pessoas para segundo plano, numa acção que adultera a própria razão de ser e existir da “máquina” enquanto instrumental e operativa, complementar e auxiliar da instituição para cumprimento do seu papel e objectivo.

Esta “máquina” administrativa, técnica e operativa não pode ser a causa para a justificação mas sim tribuna de satisfação. Não pode ser razão para dificuldades. Mas sim facilitadora de entendimentos e procedimentos. Não se pode alimentar de regras nem se autoexigir para autosatisfazer. Apenas deve perseguir a excelência do serviço para satisfação de quem dela se serve: as pessoas.

E tudo isto a pretexto da convicção de que, hoje, se assiste a um desfasamento muito grande entre a instituição, a “máquina” e as pessoas quando a cumplicidade deveria ser cada vez maior e natural, quando as dependências são cada vez mais visíveis. Afinal, todas (sem excepção”, são feitas de pessoas, ou seja, seres humanos em relação com seres humanos. E esta parece ser a grande lição a reter: nada é feito sem as pessoas, nada serve se não for ao serviço das pessoas. Porque as pessoas são o centro, a causa e o fim. Sempre!

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