Obviamente censurável

Ideias Políticas

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Francisco Mota

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Portugal foi alvo, nos últimos meses, de um terrorismo desconhecido que colocou o País em chamas. A repetição da tragédia de Pedrogão encurralou o poder político, pondo em causa a maioria de esquerda e debilitando a acção do Estado.
Se o primeiro episódio pôs a nu a fragilidade do sistema, o segundo evidenciou a incompetência e inoperância do Governo. Muito se tem escrito e criticado sobre os prossupostos políticos que têm motivado a oposição. A vitimização dos poderes públicos e governamentais tem sido nesta matéria contraditórios e ao mesmo tempo caricatos.

Como podemos aceitar que responsáveis políticos profiram afirmações como: “queremos que os bombeiros se desloquem para os incêndios de autocarro ou comboio”; “os bombeiros são amadores” ou ainda “Têm de ser as próprias comunidades a ser proactivas e não ficarmos todos à espera que apareçam os nossos bombeiros e que apareçam os aviões para nos resolverem o problema” e depois da catástrofe não aceitem e considerem um aproveitamento político, à custa das vítimas, quando lhes são pedidas responsabilidades sobre as suas próprias opções que tomaram anteriormente.

Se acrescentarmos a isto a partidarização, por parte do Secretário de Estado da Administração Interna, da Autoridade de Protecção Civil, nomeadamente nos comandos distritais, dando esses lugares aos discípulos do Partido Socialista em detrimento da experiência, competência, conhecimento e capacidade de coordenação por parte de quem os ocupava até então, percebemos facilmente que a prioridade nunca foram os portugueses, mas antes sim garantir a satisfação partidária.

Foram sucessivas as opções erradas que o Governo tomou ao longo do tempo, pondo em causa a garantia maior de qualquer Estado sobre os seus cidadãos: a segurança. Mais de uma centena de mortes, destruição de territórios, empresas desmanteladas e um património natural saqueado e reduzido a cinzas. Um cenário horrível, que aliado a um primeiro-ministro que declara que precisamos de habituar-nos a morrer nas chamas, se o Governo inteiro assume que não é capaz de proteger a integridade dos seus cidadãos e os seus bens, a pergunta que cabe colocar é a seguinte: o Governo - e o Estado que representa - servem para quê?

Por outro lado, perante uma fase crítica de incêndios que foi prolongada até 31 de outubro, sem que tivesse sido acautelado, de igual forma o prolongamento dos meios operacionais, como as torres de vigia ou os meios aéreos cabe questionar: para que serve então o reconhecimento do perigo no papel?
Não menos importante, foi o sentimento de impunidade e de superioridade de António Costa, bem como a falta de sensibilidade e de Humanismo como se dirigiu ao País e aos Portugueses.

A decisão do CDS em apresentar uma Moção de Censura demostrou não só uma grande sensibilidade política, mas sobretudo um enorme sentido estado. Se esta não é razão para uma moção de censura então nunca haverá momento algum para censurar o quer que seja. Falta saber é que sentido de Estado e de responsabilidade terá o Bloco de Esquerda, Partido Comunista e o Partido Ecologista os Verdes.

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