Mudanças…

Voz às Escolas

autor

Luisa Rodrigues

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Independentemente das ideologias políticas, temos o dever de avaliar, de forma tão isenta quanto possível, a validade das decisões que, na educação como em qualquer outra área prioritária duma sociedade em que o indivíduo seja, efetivamente, o referente, condicionam o exercício de práticas de sucesso.

Analisando o caminho percorrido e as perspetivas de futuro, levantam-se algumas questões que, embora possam ser consideradas de somenos importância pela esmagadora maioria dos cidadãos, assumem um caráter de relevada importância, tais os efeitos que podem ter na construção de uma sociedade que todos pretendemos mais qualificada, quer a nível do conhecimento académico quer da formação humana.

Ao longo do tempo fomos assistindo à transferência de competências para a Escola, competências essas que, até então, estavam implícitas no papel da família, potenciando um clima de ambiguidade e constrangimento que “rouba” à Escola muita da energia que deveria ser canalizada para o cumprimento da sua missão, sem que tivessem sido assegurados mecanismos de reforço da sua autoridade, face ao duplo papel que, em muitos casos, passou a desempenhar. Dá-se, assim, um fenómeno que António Nóvoa designa de transbordamento da escola, enviando-se tudo para dentro da escola e culpabilizando-a pelo “desastre da educação”, quando o desastre está, afinal, na própria sociedade.

Acresce que a referida transferência, sem a devida e clara definição de competências de cada uma das partes, potenciou o surgimento de um fenómeno que, embora não merecendo a atenção do poder decisor, acabará, num futuro próximo, por ser tema central de debate em diversas instâncias - a ascendência sempre perversa dos nossos jovens sobre os seus progenitores e a “subserviência” destes quando chamados a corresponsabilizarem-se com a Escola na tomada de decisões quanto ao futuro dos seus educandos, pondo assim em causa o seu papel fundamental de Encarregados de Educação.

Com a publicação do Perfil do Aluno à saída da escolaridade obrigatória, perfil esse que foi descrito como humanista, porque nele as pessoas estão em primeiro lugar, dei comigo a pensar no que temos andado a fazer nas escolas, nós que estamos no terreno, quando confrontados com “novidades” desta natureza, tendo presente que há muito fomos levados a assumir um duplo papel na formação dos nossos jovens, papel esse que não tem sido levado em conta quando somos chamados a prestar contas, através das provas a que os alunos são, anualmente, sujeitos.

Que há necessidade de alterar algumas práticas pedagógicas e didáticas ainda em vigor, é inquestionável, do mesmo modo que o é a responsabilidade de quem de direito dotar as escolas de recursos físicos, materiais e humanos que, aliados ao acesso a formação específica, permitam à Escola ter condições para a implementação de práticas inovadoras que, para além do conhecimento reforcem o investimento nos domínios do ser, do estar e do participar assertivamente na sociedade, mas não porque as pessoas não tenham estado sempre em primeiro lugar.

Enquanto líder de uma organização escolar e, acima de tudo, enquanto profissional de educação, revejo-me nesta necessidade de evoluir, de melhorar, face às exigências para a sobrevivência numa sociedade cada vez mais competitiva e alicerçada em valores materiais, abstraindo-me de acrescentar outras condicionantes, de que não posso deixar de referir o primado do “jogo de influências” que, tantas vezes, limita a nossa ação.
Ao contrário, no entanto, não me revejo na proliferação de medidas que, pese embora a sua pertinência e mais valia para uma Escola de e com sucesso, são acolhidas com grande expectativa, na esperança de que o nosso trabalho seja, finalmente reconhecido, dando-nos melhores condições de trabalho, e que morrem na praia em resultado da priorização dos investimentos por parte dos muitos intermediários entre a Tutela e a Escola.
Subscrevo a necessidade de inovar, de tornar a Escola mais “apelativa”, indo de encontro aos interesses daqueles em função dos quais existimos - os alunos, mas o que não posso subscrever é a forma como as promessas estão a ser/não ser cumpridas, porque há uma grande distância entre quem detém o poder e quem, no terreno, tenta encontrar justificações para que aqueles que representa não desanimem, matando à nascença um projeto que poderia fazer toda a diferença e, de uma ou outra forma, “revolucionar” a Escola, rumo ao Sucesso Pleno que todos perseguimos.

Estamos, como sempre estivemos, em condições de assumir responsabilidades e, consequentemente, de apresentar resultados, mas como apresentar resultados quando dependemos de outros para, por exemplo, cumprir o nosso Plano de Ação Estratégica?

Ao iniciar mais um ano letivo, o meu agradecimento a todos os profissionais de educação do Agrupamento que represento pelo sucesso alcançado no ano letivo transato e pela coragem com que abraçaram a mudança na preparação de um novo ano, pese embora a dúvida sobre a atribuição dos “tais” recursos que deveriam ter-nos sido atribuídos em 2016/2017.

Um excelente Ano Letivo para todos.

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