Como fundar um Agrupamento de Escuteiros

Escreve quem sabe

autor

Carlos Alberto Pereira

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É difícil deixar de procurar uma resposta, tão simples quanto possível, para um amigo. Assim, a crónica de hoje procura ser uma pista para os que me têm questionado sobre o modo de criar um agrupamento do Corpo Nacional de Escutas - Escutismo Católico Português.
Antes de mais, esta vontade tem que ser coletiva, isto é, partilhada por vários adultos, sendo recomendável que este número se situe entre o mínimo de 3 e o máximo de 12, que, independentemente de terem ou não alguma experiência de escutismo, têm de viver e dar testemunho da sua fé.

Depois de constituído este grupo inicial de leigos, deve ser feito um contacto com o pároco para com ele partilhar este desejo e obter o seu consentimento para desenvolver o projeto, porque o escutismo católico é um movimento da Igreja.
Embora, por vezes, o agrupamento seja fundado num “colégio” católico ou num seminário, sendo, nestes casos, necessário consentimento do respetivo superior. O pároco ou o superior passa a integrar esta equipa assumindo as funções de assistente.

Obtido este favorável ao desenvolvimento do projeto, dado pela competente autoridade eclesiástica, chegou a altura de ser feito um contacto com a Junta de Núcleo, do respetivo Arciprestado, para iniciar a formalização do processo de criação do agrupamento, que, em princípio, deverá demorar entre 18 a 36 meses.

Estes leigos iniciarão um percurso de formação de adultos no escutismo - o percurso inicial1 - que decorrerá num período de tempo até dois anos e que culminará com a Promessa de Dirigente.
Durante este percurso os candidatos serão acompanhados, cada um deles, por um tutor, dirigente mais experiente, nomeado pela Junta de Núcleo ou pela Junta Regional, que enriquecerá o percurso formativo do candidato. , e sempre que as condições o permitam, esta entidade também nomeia um agrupamento “padrinho” que permite, por um lado, o contacto dos candidatos a dirigentes com uma realidade escutista já consolidada e, por outro lado, possibilita às crianças e jovens do agrupamento em formação oportunidades de vivências de atividades em conjunto com outros na mesma faixa etária.

Nesta fase, é útil iniciar com uma ou duas pequenas Secções (a Alcateia, crianças dos 6 aos 10 anos, e/ou a Expedição, pré-adolescentes dos 11 aos 14 anos) porque dá mais mobilidade, não exige tanto esforço e não perturba as ações conjuntas com o agrupamento “padrinho”.

Este modelo permite, aos candidatos a dirigentes, desenvolver a sua autoformação:
a) Observando:
• O que os outros fazem;
• Como o fazem.
b) Conversando (tendo presente que vergonha é não fazer ou fazer mal):
• Trocando impressões sobre as suas dificuldades e os seus receios;
• Descobrindo que, afinal, os mais experientes também têm dificuldades e receios.
c) Lendo:
• Sabendo que não é tudo, mas que é um contributo muito importante;
• Os livros de base devem ser lidos e relidos ou consultados periodicamente;
d) Escrevendo (quem escreve lê duas vezes):
• Escrevendo os seus planos;
• Anotando os programas das reuniões;
• Compondo as fichas de jogos;
• Redigindo as notas para as suas intervenções.

Também é necessário dispor uma sede adequada ao efetivo, não só na perspetiva do presente, mas sobretudo do futuro, que permita a aplicação do método escutista, com espaço para os cantos de bando do de patrulha, e a promoção da vivência da Lei do Escuta.
A sede deve ainda ter condições para uma pequeníssima biblioteca escutista e espaço para guardar o material de pioneirismo e de campo.
Deste modo, concluída a formação dos candidatos a dirigentes, a Junta de Núcleo ou a Junta Regional aceita o Agrupamento e promove a publicação da sua criação, em Atos Oficiais do CNE, na revista “Flor de Lis”.

1Ver artigos publicados nos dias 15.fev.2013, 01.mar.2013 e 28.out.2016.

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