Nem tudo são más notícias!

Ideias

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Jorge Cruz

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O administrador dos Transportes Urbanos de Braga (TUB), Baptista da Costa, acusou há dias três docentes da Universidade do Minho (UM) de se constituírem como “forças de bloqueio” à circulação de autocarros da empresa no interior do campus universitário de Gualtar. E este “boicote” acontecerá não obstante a travessia ser vista “com bons olhos” pelo reitor António Cunha, assegurou aquele responsável.

Dois dos três acusados já vieram negar qualquer interferência no processo mas, curiosamente, um deles até está desligado da UM desde 2013, altura em que assumiu responsabilidades no município de Braga. Trata-se de Miguel Bandeira, por sinal responsável pela mobilidade e que também desempenha a função de presidente da Assembleia Geral da empresa municipal de transportes.
A implementação da medida de atravessamento do campus pelos autocarros defronta-se, obviamente, com questões de ordem técnica, de segurança e outras, mas não me parece fazer qualquer sentido dirimir na praça pública eventuais contendas dessa ordem, as quais devem ser resolvidas pelos técnicos e em locais apropriados.

Ignoro qual a intenção do administrador dos TUB ao discutir na comunicação social assuntos que deveriam merecer maior reserva. Primeiro porque serão questões técnicas que estarão a obstaculizar a decisão e, depois, porque um dos visados nas acusações até desempenha altas responsabilidades na empresa municipal de transportes.

Independentemente das competências técnicas para a posição que ocupa, um titular de um cargo público deve demonstrar aptidões humanas e a sensibilidade política adequadas à especificidade das funções para que foi nomeado. No caso deste responsável, e sem colocar minimamente em causa a sua competência técnica na área em que se move, quer-me parecer que deixa bastante a desejar em outros campos de intervenção.

Do ponto de vista da relação com a tutela, por exemplo, esta desconsideração pública ao presidente da Assembleia Geral da empresa e vereador do município constitui, no mínimo, uma atitude impensada e politicamente desastrada. Mas quem fizer um pequeno esforço de memória recordar-se-á certamente da anunciada aquisição, logo desmentida pelo presidente da Câmara, de uma pequena frota de novos autocarros.

Todos se lembrarão, de igual modo, da contratação externa de serviços em detrimento de recursos humanos da própria empresa e, nessa medida, provocando gastos desnecessários. Foi a fase de emprateleirar alguns técnicos que culminou há tempos com o início das transferências forçadas de funcionários para o município de Braga.

A mais recente controvérsia prende-se com as preocupações com o absentismo na empresa que, segundo Baptista da Costa, em 2016 atingiu a taxa de 8,14 por cento. Estes dados, “incomportáveis”, causaram espanto ao administrador, que se mostrou “surpreendido com este valor e sobretudo com o que ele representou em termos de custos para a empresa: 800 mil euros”.

Claro que o absentismo tem que constituir uma das preocupações de qualquer gestor o qual, aliás, deve incluir na sua cartilha de gestão a análise das múltiplas causas que o originam.
No caso vertente, e uma vez que os números divulgados se referem ao terceiro ano do mandato da administração, aconteceu uma de duas: ou as boas práticas não foram seguidas ou só ao fim de três anos é que o absentismo aumentou. Em qualquer dos casos pouco abonatório para o gestor.
Será que a maioria que governa o município de Braga concorda com este tipo de postura, que coloca em causa alguns dos preceitos tão caros a Ricardo Rio? E se discorda, de que está à espera para pôr ordem na casa?

Mas nem tudo é mau e, desse ponto de vista, como que a contrabalançar, também surgem por vezes boas notícias. Notícias que enchem de orgulho os bracarenses, como aconteceu recentemente com o anúncio da aceitação da candidatura de Braga a Cidade Criativa da UNESCO, na categoria Media Arts.

Como muito bem afirmou na altura o presidente da Câmara, “a aprovação da candidatura reflete a enorme qualidade do extenso trabalho coletivo que está a ser efetuado em Braga nesta área, e é uma notícia que a todos enche de orgulho.” Ricardo Rio relevou o facto de sermos “uma cidade onde a investigação, a criatividade, a cultura, a juventude e a artes navegam em sentidos convergentes, criando uma rede de conhecimento profunda, onde entidades como as universidades, as unidades de investigação ou o INL têm um enorme papel”.

De facto, a candidatura colocou a tónica no reforço dessas relações no sentido de aprofundar o cruzamento entre arte e tecnologia, criando mais condições para o seu desenvolvimento. O propósito óbvio, na ideia dos responsáveis pela candidatura, é afirmar Braga como referência nas Media Arts em Portugal e, mais do que isso, assegurar que tal estatuto tenha reflexos na cultura e na economia da cidade.

Para além da implementação do denominado “Media Arts Centre”, a ser desenvolvido no antigo S. Geraldo e no GNRation, e outras áreas adjacentes, o que já não é de pouca monta, aguarda-se com expectativa que os sectores culturais e criativos assumam grande centralidade no planeamento estratégico da cidade, conforme consta dos objectivos da própria Rede de Cidades Criativas da Unesco. Se assim acontecer, como será expectável, podemos concluir que valeu a pena!

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