Bibliotecas: da utilidade à necessidade

Voz às Bibliotecas

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Carla Araújo

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Das bibliotecas não se pode esperar que apenas sejam úteis, mas que se tornem necessárias. Em 1996, há pouco mais de 20 anos, constituía-se em Portugal uma Rede de Bibliotecas Escolares que, em articulação com as autarquias e os agrupamentos de escolas, pretendia criar espaços destinados ao funcionamento de bibliotecas dentro dos estabelecimentos de ensino. Nesse mesmo ano, Vila Nova de Famalicão assinou o contrato programa com a Rede de Bibliotecas Escolares e, no ano seguinte, em 1997, há precisamente 20 anos, entravam na dita rede as primeiras cinco bibliotecas escolares do concelho, as Bibliotecas Escolares da EB2,3 Júlio Brandão - VNF, da EB1 Luís de Camões - VNF, da EB1 Avenida - Riba de Ave, da EB1 Boca do Monte - Mogege e da EB1 Agra maior - Vermoim.

Em Vila Nova de Famalicão a Rede de Bibliotecas Escolares estendeu-se e conta atualmente com um total 30 Bibliotecas Escolares, uma Biblioteca Municipal, 5 Polos de Leitura e uma Biblioteca Itinerante. Assim, e como demonstram estes números no caso do município de Famalicão, mas que se replicam em muitos municípios deste país, as Bibliotecas foram sendo consideradas como equipamentos úteis tanto para as comunidades educativas como para as comunidades gerais. Não se pode, portanto, contestar a sua utilidade! Contudo, e na era informacional em que vivemos, as bibliotecas não podem ser apenas úteis, mas devem assumir-se como necessárias.

Passar da utilidade para a necessidade implica que os seus responsáveis, autarquias locais e agrupamentos de escolas, as coloquem no centro da sua atuação e que, a partir delas, radiem os mais diversos projetos, atividades e ações. As Bibliotecas Escolares deverão ser um espaço e um recurso que seja parte intrínseca do agrupamento de escolas e assumir-se enquanto estrutura de apoio aos currículos, como suporte ao trabalho docente e à prática letiva.

A questão da necessidade das Bibliotecas Escolares é muito mais do que o papel de “enriquecer” mas antes o papel de “fortalecer”. A Biblioteca Escolar não deverá acrescentar mais uma atividade, mas sim sustentar a atividade já existente, seja a atividade docente da aula, seja como plataforma que permita o ensino colaborativo e interdisciplinar. Este foi o desafio do “10.º Encontro de Serviços de Apoio às Bibliotecas Escolares: partilha de boas práticas”, que se realizou em Vila Nova de Famalicão, na sua Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, nos passados dias 24 e 25 de novembro, sob o tema “Bibliotecas: da utilidade à necessidade”.

Durante os dois dias do encontro, que lotou a o auditório da Biblioteca Municipal, e onde se fizeram representar profissionais de toda a região norte e centro do país, realizaram-se conferências de enquadramento do tema, de onde se destacou a presença da Coordenadora da Rede Nacional de Biblioteca Escolares, Dra. Manuela Pargana Silva; de partilha de boas práticas do trabalho desenvolvido na Biblioteca Municipal de Vizela e na Biblioteca Escolar da Escola Básica da Ponte, de Santo Tirso; de encontro com os escritores Gonçalo Cadilhe e Filipe Morato Gomes e, ainda, um conjunto de workshops formativos dedicados às mais diversas áreas da biblioteconomia.

Assim, e numa espécie de balanço do trabalho que está a ser desenvolvido a nível nacional, debateu-se sobre a dimensão estratégica que estes espaços públicos de leitura representam na atual sociedade da informação, bem como se definiram novos rumos para as bibliotecas da atualidade.

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