Carlos Almeida: Bracarenses vão reconhecer o trabalho da CDU na Câmara de Braga

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Rui Alberto Sequeira

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Carlos Almeida, cabeça-de-lista da CDU, à Câmara Municipal de Braga diz que remunicipalização da Agere é uma proposta chave da sua candidatura. Acredita que Ricardo Rio “já vendeu” a Confiança a privados e admite que foi a única voz da oposição no executivo municipal ao longo dos últimos quatro anos. Carlos Almeida é o cabeça-de-lista da CDU á Câmara Municipal de Braga nas eleições autárquicas do próximo dia 1 de Outubro. Tem 34 anos e é Licenciado em Ciências da Comunicação. Desempenhou as funções de vereador da CDU desde 2013 até à presente data. Carlos Almeida foi eleito da CDU na Assembleia Municipal de Braga entre 2005 e 2013.

P - Nas eleições autárquicas do próximo domingo vai ser avaliado pelos bracarenses pelo seu desempenho como vereador nos últimos quatro anos. Vai de consciência tranquila a este “julgamento” eleitoral?
R - É importante que as pessoas olhem para os compromissos, para as propostas, para os projectos de cada candidatura, mas que tenham também a capacidade de recorrendo á memória, perceberem como foram os últimos quatro anos e qual foi o papel de cada vereador e em especial da CDU.

P - A “maioria de direita” na CMB reconheceu algumas vezes que a única oposição que existia na vereação era a do vereador da CDU, menosprezando os representantes socialistas.
R - Há uma parte de estratégia nessa observação. Por um lado, “apagar” o Partido Socialista (PS), mas por outro é algo que não custa muito reconhecer pela “coligação de direita” pelo facto do PS ter estado muito ausente no ultimo mandato. Disse-o várias vezes no passado o PS não teve na autarquia, a intervenção que seria expectável. Creio que os eleitores socialistas esperavam mais dos seus quatro eleitos. Lamentavelmente foram quatro anos em que estive sozinho na maior parte das “batalhas” politicas.

P -Identifica algumas situações em que poderia ter existido um acompanhamento dos vereadores do PS ás suas propostas?
R - Pior que a ausência foi a inércia que esteve patente na falta de ação do PS na câmara de Braga. Um exemplo que é paradigmático teve a ver com as medidas que a maioria no executivo optou por manter e que vinham da anterior governação socialista: as refeições escolares - problema gravíssimo que afecta pais, escolas, alunos. O PS durante o mandato branqueou e votou a favor.

P - Mete o problema do estacionamento pago á superfície no mesmo saco?
R - No inicio deste mandato autárquico a maioria tomou a decisão - que nós acompanhámos - que foi a revogação do alargamento do número de ruas em que o estacionamento é pago. Propus o resgate da concessão para o Município, mas Ricardo Rio decidiu que não. Agora em final de mandato mudou de opinião. Nessa matéria os vereadores do PS estiveram de “pés e mãos atadas” devido ao passado.

P - Recentemente o cabeça de lista do PS á CMB acusou-o de não ter conseguido resolver os problemas?
R - A CDU não podia resolver porque não tem a presidência da Câmara, nem a maioria no executivo municipal. Vejo essa critica num contexto eleitoral onde há um manifesto desespero por parte de Miguel Corais. Não acredito que as bases socialistas acompanhem o seu candidato nessa análise. Muitos socialistas têm expressado o seu apoio ao meu trabalho e dizem que vão confiar o seu voto á CDU.

P - A CDU pensa eleger um segundo vereador?
R - Temos os pés assentes na terra. É um objectivo de grande dificuldade, mas estamos confiantes de que é possível.

P - Neste mandado não foi proposto ao vereador da CDU pela coligação vencedora, um pelouro?
R - Nem á CDU nem ao PS.

P - E no cenário eleitoral que sair das eleições de 1 de Outubro?
R - Eu quero deixar bem claro que a CDU tem como questão de principio não dizer logo á partida se aceita ou não pelouros. Depois, nunca abdicaremos do nosso programa político nem do nosso projecto autárquico. Não estaremos disponíveis para ter pelouros cumprindo o programa autárquico de outras candidaturas.

P - Se o/os vereador(es) da CDU aceitar(em) pelouros no futuro elenco municipal isso obriga a caucionar opções da maioria?
R- Numa maioria relativa acredito que tenha de haver negociações, numa maioria absoluta creio que não. O cenário que queremos é reforçar a CDU e derrotar a direita.

P - Na ultima reunião da CMB confrontou o presidente com a venda a privados da antiga fábrica Confiança. Chegou a apelidar de traição se Ricardo Rio, que quando era oposição esteve envolvido na compra do edifício, vier a alienar o património.
R - É precipitado e contrário da vontade da cidade, que se venda a Confiança. Hoje, tenho a mais profunda convicção que Ricardo Rio “já vendeu” o edifício. Não concretizou o negócio, mas “já vendeu” o imóvel. A Confiança foi comprada por 3,5 milhões de euros. Um investimento público que a CDU considerou muito elevado, mas cuja compra reunia um consenso alargado na sociedade bracarense. Curiosamente o então presidente da Junta de Freguesia de S.Vítor, Firmino Marques, actual vice-presidente do Município defendia essa aquisição. Hoje está calado. O compromisso que pretendi obter de Ricardo Rio na ultima reunião era de que não tomaria nenhuma decisão sobre a Confiança, sem reunir o mesmo consenso político e social que foi conseguido aquando da compra.

P - O autarca bracarense fala dos elevados custos de recuperação do imóvel e já no passado falava dessa venda.
R - A falta de verbas neste momento não obriga a sua venda. Pode não haver financiamento comunitário para uma grande intervenção. Mas há outras soluções. Há agentes da cultura disponíveis para intervir na Confiança. Ricardo Rio chegou ao ridículo de dizer que vendia a Confiança para com essa verba intervir nas Sete Fontes. É deitar areia para os olhos dos bracarenses.

P - No caso do antigo cinema S. Geraldo, justifica-se a CMB estar a intervir com dinheiros públicos tratando-se de uma propriedade privada, pertencente á Igreja?
R - A grande virtude da tensão política á volta do S. Geraldo foi evitar a sua demolição. O negócio não me parece o melhor, mas na política há que tomar decisões.

P - Ricardo Rio tem-se queixado das inúmeras contas que apareceram para o Município pagar, ainda do tempo da gestão socialista. Concorda que tem sido um obstáculo ao investimento?
R - Essas situações são reveladoras do que foi a gestão socialista em Braga. A estratégia de Ricardo Rio foi mandar fazer uma auditoria externa á medida dos interesses da “coligação de direita”. Esse documento acabou por suportar todas as decisões tomadas no plano financeiro porque foi sobrevalorizado o endivamento municipal. Em relação á PPP sempre dissemos que era um sorvedouro de dinheiro público. Colocamos duvidas quanto aos custos da internalização da Sociedade Gestora dos Equipamentos de Braga - SGEB na autarquia. Quanto á decisão política não temos duvidas de que foi positiva a sua extinção.

P - O candidato da CDU enquanto vereador esteve diretamente envolvido no processo de doação de terrenos para a academia do Sporting de Braga.
R - Com a solução que a CDU apresentou, evitou-se um negócio trágico para o Município. O que vinha do tempo da maioria socialista era a possibilidade de a câmara comprar um terreno na ordem dos vários milhões de euros para depois doar ao clube. Evitámos esse desastre. A cidade desportiva e a academia são um projecto que traz melhores condições para a formação de desportistas e teve englobado, de acordo com a proposta da CDU, um conjunto de contrapartidas para o beneficio da população.

P - O PS propunha um parque para aquela zona norte da cidade.
R - Qual parque? No parque urbano norte estava englobado o estádio municipal, as piscinas olímpicas, um pavilhão multiusos, e uma zona verde. Dezena e meia de anos depois apenas foi construído o estádio.

P - E a piscina olímpica?
R - O Sporting de Braga não queria aceitar inicialmente esse “esqueleto”, mas a CDU forçou e só concordava com a doação se a piscina fosse incluída. Não havia qualquer solução para aquela estrutura que agora será transformada em pavilhão desportivo e parte das instalações será para uso publico. É um projecto que está calendarizado para quatro anos.

P - O que é que os bracarenses têm a ganhar com remunicipalização da Agere?
R - É uma das propostas chave que a CDU tem para apresentar aos bracarenses. Os lucros da Agere deviam ser orientados para o investimento nos serviços prestados aos cidadãos; basta andar nas ruas para perceber a sujidade que existe. Não há margem para reduzir de forma significativa as tarifas que os bracarenses pagam? A autarquia tem de criar condições para remunicipalizar a Agere. Apresentámos uma solução política que tem de ter tradução jurídica e técnica. A Câmara fez isso para a SGEB, não fez para a a Agere porque não quis.

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