Miguel Corais: A tarefa que tenho é encantar quem se desencantou

Entrevistas

autor

Rui Alberto Sequeira

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Miguel Corais, cabeça-de-lista do Partido Socialista, à Câmara Municipal de Braga afirma que “é mais fácil recuperar do que conquistar a autarquia” e que tem uma grande tarefa pela frente: “encantar quem se desencantou”, apresentando um projecto que “convença” os bracarenses. Daí o ‘slogan’ da campanha... ‘A verdadeira mudança’. Miguel Corais é candidato do Partido Socialista á presidência da Câmara Municipal de Braga. Licenciado em Gestão esteve durante vários anos profissionalmente ligado ao sector da banca. Entre 2009 e 2013 foi administrador do Parque de Exposições de Braga. Definindo-se como um idealista pragmático Miguel Corais desempenhou ainda o cargo de Presidente da APFC - Associação Portuguesa de Feiras e Congressos e da Comissão Organizadora do Congresso da União de Feiras Ibero-americanas, entre 2011 e 2013.

P - A candidatura do Partido Socialista (PS) à Câmara Municipal de Braga (CMB) tem a difícil tarefa de reconquistar a autarquia perdida para a Coligação 'Juntos por Braga' nas eleições de 2013. É uma tarefa hercúlea a que se propõe?
R - Uma vitória dá sempre muito trabalho. Neste caso é conseguir a confiança da maioria dos bracarenses. A tarefa que tenho é encantar quem se desencantou, apresentando um projecto que convença os bracarenses e por isso é que afirmamos que somo a verdadeira mudança.

P - Recuperar a confiança perdida, no PS.
R - Eu acho que é mais fácil recuperar do que conquistar. Braga ainda é um concelho sociologicamente socialista. Deu essa confiança durante 37 anos e o que sucedeu há quatro anos foi um certo desencantamento quanto ao PS. Nós próprios sentimos isso na rua. Estes últimos quatro anos foram anos em que a coligação de direita poderia ter feito um trabalho que conquistaria os bracarenses, mas aquilo que se sente no contacto com as pessoas, face as expectativas geradas, é uma desilusão total com o trabalho apresentado pela maioria que tem governado o Município.

P - Mas sente nos contactos de rua sinais de recuperação da confiança da população no PS?
R- O contacto que tenho tido tem sido excelente. Não encontrei qualquer tipo de hostilidade. Faço questão de cumprimentar pessoa a pessoa para sentirem o grau de compromisso que tenho com elas.
P - Acha que o PS aprendeu com esta travessia do deserto que já dura há quatro anos?
R- Eu disse que se o PS quiser ganhar tem de corporizar a mudança que os bracarenses querem. Nas autárquicas em 2013 os bracarenses estavam com um sentimento de mudança que, com esta governação municipal, não se concretizou. O PS apresenta aos bracarenses um projeto claramente renovado. Somos outros protagonistas e temos de olhar para as expetativas que a população tem quanto ao futuro. O nosso único compromisso é com os bracarenses e é trabalhar todos os dias para o “concelho de sonho” que todos desejam.

P - Disse que usa apenas o dinheiro da subvenção estatal para os gastos da sua campanha. Foi uma opção ou é o resultado da situação do PS em Braga?
R - Foi uma opção concreta e ao mesmo tempo teve uma componente pedagógica. Não há almoços grátis. Se tivermos uma grande componente de financiamento privado na nossa campanha é obvio que há um compromisso futuro relativamente a essas pessoas que financiam
P - Sem nos centrarmos demasiado no passado, quando foi convidado por Mesquita Machado para administrador do Parque de Exposições de Braga (PEB) seria para ser um administrador liquidatário. Acabou, no entanto, por recuperar a imagem do PEB.
R - A leitura que fiz quando assumi esse cargo foi entender que o PEB era uma instituição importante para o desenvolvimento de Braga. Não foi fácil contribuir todos os dias para que os bracarenses percebessem que o Parque era um instrumento fundamental para o desenvolvimento económico a todos os níveis e não era um “elefante branco”. Era preciso investir na sua requalificação.

P - Sente algum desconforto quando observa o inicio das obras de requalificação do PEB, até porque essa foi também uma reivindicação, permanente, quando era administrador?
R - Antes pelo contrário. Estive quatro anos como administrador e tenho grande orgulho em ter contribuído para a credibilidade do PEB, em ter contribuído para que a leitura que hoje o actual executivo faz relativamente ao Parque - convém não esquecer que Ricardo Rio quando estava na oposição defendeu a extinção do PEB. Hoje Ricardo Rio apresenta o PEB, com alteração do nome para InvestBraga, quase como sendo a jóia da coroa, mas isso tem também um contributo da minha gestão.

P - Qual foi esse contributo?
R - Eu tinha um documento que eram as linhas estratégicas do futuro do PEB. Uma das vertentes desse meu documento, era a “BragaInvest” que tinha a ver com a captação de investimento e a promoção internacional de Braga, também constava nesse documento a importância do acolhimento empresarial, do empreendedorismo e da organização de eventos e feiras. Se há algo que eu observo naquilo que é agora a InvestBraga, é que seguiram as linhas estratégicas que eu deixei e partilhei com Ricardo Rio e com a nova administração, quando deixei as funções publicas de administrador.


P - Disse recentemente numa acção de campanha eleitoral que espera ser o presidente que vai de fato reabilitar o mercado municipal. A actual maioria anunciou o propósito de o fazer, mas ainda não avançou no terreno.
R - O maior desafio que terei como presidente de Câmara depois da requalificação do mercado municipal é colocar o equipamento com gente e com clientes. O mercado municipal deve ter um gestor profissional que conheça o sector. O mercado municipal é o exemplo de outros exemplos da actuação da “maioria de direita” como as Sete Fontes, a fábrica Confiança. Tudo o que foram grandes propostas e grandes bandeiras desta coligação de direita ficaram todas na gaveta e regressam agora antes das eleições para constar no programa eleitoral.

P - A maioria que governa o Município tem justificado o pouco investimento em obras, com a situação financeira que recebeu da gestão socialista.
R - Houve nestes quatro anos uma grande desculpa com o passado. Apesar disso Braga vai ser para o ano a Cidade Europeia do Desporto. Apesar dessa situação financeira que referem, Braga pode receber o Rally de Portugal, a Volta a Portugal. Numas contas que fiz por alto, no mínimo foram gastos entre 2 milhões e 2,5 milhões de euros em festas e festinhas. São valores que davam para uma grande campanha promocional de Braga.

P-Não considera que também há retorno económico para o concelho, com essas iniciativas?
R - Não basta dizer que houve retorno é preciso mostrar os números. É uma questão de transparência. Nós temos uma proposta que é baixar em 30% o valor da tarifa do estacionamento á superfície.

P- Como é que o candidato do PS á CMB se propõe reduzir em 30% a tarifa dos parcómetros?
R - Os comerciantes queixam-se do custo. Há zonas de Braga que não deveriam ter parcómetros: por exemplo a Rua do Caires. Faz sentido reduzir o preço/hora do estacionamento e até existirem zonas mais caras e outras mais baratas. Se as negociações com a ESSE não resultarem ou se for muito caro resgatar a concessão; na divisão das receitas (metade é da CMB), a autarquia abdica de uma parte da sua receita para baixar as tarifas. Estamos a falar de valores abaixo dos 500 mil euros. É uma solução.

P - No caso da Agere, o candidato socialista á CMB, defende a remunicipalização?
R - Á data de hoje e de acordo com as minhas contas, não é claramente benéfica a remunicipalização para os cofres da autarquia. A remunicipalização exige que se reponha o valor acionista o que iria desviar verbas que poderiam ser aplicadas pela CMB em outros investimentos. A Câmara tem 51% da Agere e tem um gestor publico na empresa, com determinados poderes e existe um acordo Parassocial que é de todos conhecido. O que aconteceu nestes quatro anos é que o gestor público não exerceu os seus poderes para defender o interesse municipal, que é o interesse dos bracarenses. A Agere tem de tratar os trabalhadores de outra maneira.

P - Se for eleito presidente do Município de Braga vai alienar a antiga fábrica Confiança?
R - Não. A Confiança foi comprada num determinado contexto e a necessidade de a preservar é a mesma agora, que era há quatro ou cinco anos. Acho estranho que Ricardo Rio diga que a CMB não quer ter o papel de agente imobiliário e ele esteja agora a fazer esse papel a propósito da Confiança. Fez na compra e faz na venda. É importante que a fábrica Confiança preserve o património industrial e será no futuro um elo de ligação entre o centro e a universidade. A Câmara mesmo que não tenha dinheiro neste momento para recuperar o edifício tem de o preservar para o futuro.

P - No plano económico tem-se falado da atracção de investimento. Nesta campanha propôs a existência de um parque industrial de 200 hectares. Uma proposta desvalorizada pelos seus adversários.
R - As propostas não são para os meus adversários. São para os bracarenses. Ao desvalorizarem significa que não estão a fazer o trabalho de casa. Esta proposta surgiu do contacto com os empresários. Interessa-me ter soluções para os bracarenses e quer sirvam a economia do concelho. Esta proposta tem com ver com o fato de haver mais emprego ou menos emprego. As empresas bracarenses quando crescem e atingem 400 ou 500 trabalhadores ou têm de se espalhar por pavilhões ou tem de se deslocalizar. É importante projectar uma nova área empresarial de determinadas áreas se fixem. É claro que é necessário requalificar também os parques empresariais existentes.

P - Que outras propostas apresenta o candidato Miguel Corais aos bracarenses?
R - Há um conjunto de medidas que vão no sentido de reforçar a confiança dos bracarenses em torno do universo municipal. Algumas deles vão no sentido de reforçar o papel da Assembleia Municipal. Por exemplo criar uma comissão de ética e de transparência independente para avaliar muitos casos que são polémicos. Por exemplo toda a abertura destas grandes superfícies em Braga, na Quinta das Portas e na rua 25 de Abril ,numa comissão de ética, com pessoas idóneas, que seria eleito logo no inicio do mandato por dois terços da Assembleia Municipal ,para permitir que esta comissão não responda ao poder executivo mas que tivesse a idoneidade que se exige. Essa comissão iria avaliar os processos para garantir a sua transparência.

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