Há “forças de bloqueio” a impedir a entrada dos TUB no campus de Gualtar

Braga

autor

Marlene Cerqueira

contactar num. de artigos 1406

“Há forças de bloqueio que estão a impedir a entrada e passagem dos autocarros dos TUB no campus de Gualtar”. A denuncia parte de Baptista da Costa, administrador da empresa municipal, que aponta como “culpados” por esta situação “três professores com posição de decisão” na academia minhota.
Baptista da Costa recorda que existe um acordo para que os TUB entrem no campus universitário, com base no qual foi apresentada uma candidatura para aquisição de seis novos autocarros eléctricos. A candidatura está aprovada e tem de estar executada até ao final de 2018, sob pena de se perder um investimento de 3,5 milhões de euros.

“O reitor e o presidente da Câmara não têm qualquer responsabilidade nesta situação” de impasse, salvaguarda o administrador dos TUB que está indignado com esta situação. “Faz- -me lembrar situações que ultrapassei aquando da concretização da linha do Metro no Porto”, recorda, dando a entender que já conseguiu resolver situações de bloqueio muito mais graves nos vários projectos de mobilidade e transportes em que esteve envolvido.

O primeiro argumento utilizado por aqueles a quem chama de “forças de bloqueio” para vetar a entrada dos TUB no campus foi “o de que os autocarros poluem e fazem barulho”. Ora, os TUB decidiram então apostar na linha 43 (que liga a universidade à estação da CP) para apresentar uma candidatura para aquisição de veículos eléctricos. Este tipo de autocarros, além de silenciosos são amigos do ambiente.

Deitados por terra os argumentos iniciais da poluição sonora e do ar, os três professores — que Baptista da Costa diz serem Paulo Ramísio e Miguel Bandeira (este também vereador) — argumentam agora com “razões técnicas e de segurança”, argumentos que para Baptista da Costa não têm qualquer sentido.
O administrador dos TUB contrapõe afirmando que a entrada dos autocarros eléctricos dos TUB, com carreiras de cinco em cinco minutos, contribuirá decisivamente para melhorar a qualidade do ar naquela zona da cidade, que tem apresentado características preocupantes.

Baptista da Costa refere que entram e saem diariamente 15 mil pessoas da Universidade do Minho, sendo que ali existem 1700 lugares de estacionamento, só dentro do campus universitário. Isto faz com que a academia minhota seja apontada como o maior foco de poluição pelas movimentações que gera.
Para reforçar a sua posição e a necessidade de incentivar ao uso dos transportes públicos pela comunidade académica, Baptista da Costa recorda o alerta recente lançado pela Zero - Associação Sistema Terrestre Sustentável. Segundo esta entidade ambientalista, os níveis do dióxido de azoto em Braga estão num nível grave, apresentando risco para a saúde humana.

O valor médio obtido em 2016 foi de 55,3mg/m3, sendo que o limite permitido pela legislação europeia e nacional é de 40 miligramas por metro cúbico. A medição foi efectuada pela estação instalada na Avenida Frei Bartolomeu dos Mártires. Para a Zero o caso de Braga é preocupante, já que é uma cidade aproximadamente cinco vezes menos populosa do que Lisboa (a capital apresenta 57 mg/m3).

Declarações de Baptista da Costa são “descabidas”

'Essa acusação não tem qualquer fundamento'. Foi desta forma que o vereador Miguel Bandeira às declarações do administrador dos TUB. O vereador recorda que neste momento não fala pela Universidade do Minho, pois está em comissão de serviço, exercendo mandato autárquico. Nessa linha considera 'descabidas' as declarações de Baptista da Costa.

Bandeira refere ainda que não teve qualquer reunião com Baptista da Costa sobre esta matéria, acrescentando que se o administrador dos TUB 'tem algum problema com a Universidade do Minho é à universidade que deve pedir responsabilidades'.
O vereador confessa que 'em tese', até considera 'interessante' a entrada dos TUB no campus universitário de Gualtar.

Explica ainda que o facto de ter sob sua tutela o pelouro da Mobilidade, isso em nada interfere neste processo, uma vez que a Universidade do Minho é um órgão com autonomia própria.
Também Paulo Ramísio se mostrou surpreendido com as declarações do administrador dos TUB.

O pró-reitor com a pasta das Infraestruturas e Sustentabilidade confirma que contactou este processo, mas há cerca de um ano e meio, dois anos, altura em que foi emitido o parecer técnico sobre a entrada dos autocarros no campus. Depois disso, o processo passou, segundo ele, para as mãos do administrador do campus.
'É difícil falar sobre um processo do qual, não tenho a tutela', sublinhou, confessando que neste momento não sabe em que ponto está o processo em causa.

vote este artigo


 

Comente este artigo

Faça login ou registe-se gratuitamente para poder comentar este artigo.

comentários

Não existem comentários para este artigo.

Últimos artigos das categorias relacionadas

Tempo

Classificados

Edição Impressa (CM)

Edição Impressa (MF)

Newsletter

subscrição de newsletter

mapa do site

2008 © todos os direitos reservados ARCADA NOVA - comunicação, marketing e publicidade, S.A. | concept by: Cápsula - soluções multimédia