‘À Descoberta de Braga’ viaja pela obra de Moura Coutinho

Braga

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Marta Amaral Caldeira

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O Theatro Circo é uma das obras mais emblemáticas do arquitecto autodidacta Moura Coutinho e, ontem, foram muitos os bracarenes que passaram a manhã à descoberta da sua obra significativa sobretudo no centro histórico, onde a imponência dos edifícios que projectou se mantém até aos dias de hoje e causa impacto junto dos turistas.
A visita guiada à obra de Moura Coutinho foi conduzida por Rita Martins, formada em História de Arte e especializada precisamente na obra deste “arquitecto, que não era arquitecto” e que foi responsável pela maior parte da arquitectura bracarense edificada e restaurada na primeira metade do séc. XX.

João de Moura Coutinho Almeida d’Eça, natural de Anadia, mas que viveu em Braga grande parte da sua vida, é autor dos mais significativos edifícios construídos na cidade, nomeadamente o topo norte da Avenida da Liberdade, o edifício do Turismo e do Banco de Portugal, a fachada da Igreja do Carmo e o café ‘A Brasileira’.
O Theatro-Circo uma das suas obras de ‘marca’ e que ontem os participantes da iniciativa ‘À Descoberta de Braga’, promovida pelo pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Braga, aproveitaram para visitar e conhecer mais de perto.

E foi precisamente no Theatro Circo que começou a viagem pela obra do arquitecto Moura Coutinho, cabendo a recepção dos participantes a Rui Ferreira, representante da área da Cultura do Município de Braga.
“O Moura Coutinho tem sido um autor cujo trabalho e obra tem vindo a ser destacado nas publicações culturais e também foi evovado nas exposições aquando do centenário do Theatro-Circo e esta é mais uma acção para o recordar e avivar a sua memória porque um conjunto significativo de edifícios bracarenses tem a sua assinatura”.

“O nosso grande objectivo com esta iniciativa ‘À Descoberta de Braga’ visa ‘reabilitar’ também a memória do arquitecto autodidacta que deixou marcas profundas na arquitectura bracarense - um trabalho a que daremos continuidade com outras actividades neste âmbito também sobre outras fuguras que precisam igualmente de ser recordadas”, referiu o bracarólogo.

Rui Ferreira lembrou que, por exemplo, os que se localizam no topo Norte da Avenida da Liberdade estavam até classificados, mas que acabaram por perder essa classificação. “Trata-se de um conjunto de edifícios muito interessante, mas muitos já foram infelizmente bastante alterados, sobretudo para finalidades comerciais”.
O grupo que integrou esta visita guiada à obra de Moura Coutinho na cidade passou e apreciou um conjunto de 18 edifícios com o seu nome.

Câmara Municipal de Braga quer mais edifícios classificados

Além de relembrar e dar a conhecer os autores das obras de arquitectura bracarense de maior importância, a Câmara Municipal de Braga tem também em vista a classificação de mais edifícios, sobretudo os de maior envergadura arquitectónica que se localizam no centro da cidade, entre os quais se encontram também alguns da autoria de Moura Coutinho.
Especializada na obra deste arquitecto autodidacta, a historiadora de arte Rita Martins contou que ‘bebeu’ grande parte do conhecimento sobre Moura Coutinho a partir do acervo da Biblioteca Pública de Braga.

“Moura Coutinho nasceu no séc. XIX, quando não havia ainda formação em arquitectura. Ele era um desenhador que começa a trabalhar nas obras públicas de Braga, depois vai para Cintra e para Lisboa, regressando mais tarde e acaba por ficar a maior parte do seu tempo em Braga”, explicou Rita Martins, indicando que é já com mais de 30 anos, no início do séc. XIX, que Moura Coutinho começa a projectar desde logo com a grandiosidade dos primeiros edifícios, de entre os quais se destaca o Theatro Circo de Braga e o projecto de recuperação do Asilo Conde Agrolongo.

Rita Martins explicou que o autodidacta foi ganhando terreno com vários projectos imponentes e mesmo depois da década de 30 ter passado a não ser permitida a assinatura de projectos aos ‘não arquitectos’, Moura Coutinho juntou-se a outros arquitectos e engenheiros para ultrapassar o dilema e dar continuidade ao seu trabalho emblemático que deixou marcas na arquitectura e urbanismo de Braga e de várias outras cidades do país.

É precisamente a partir dessa altura, no início do século XX, que Moura Coutinho se passa a dedicar mais à vertente do património e da arqueologia e em Braga assumiu com grande paixão o projecto de reconstrução da Capela de São Frutuoso de Montélios, que se localiza na freguesia de Real.

A historiadora de arte Rita Martins sublinhou a relevância do projecto municipal ‘À Descoberta de Braga, referindo que “a história local é importante não só para os que cá habitam, mas também para aqueles que são curiosos e sobretudo para os estudiosos que queiram aprofundar a arquitectura do urbanismo - que é algo que se impõe na cidade e pela qual nós passamos muitas vezes diariamente sem saber a sua história”.

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