Hospital dos Bonequinhos continua a desmistificar medo da ‘bata branca’

Braga

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Paula Maia

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Kiko, Panda, Sky. Estes foram alguns dos ‘bonecos doentes’ que ontem passaram pelos serviços médicos do ‘Hospital dos Bonequinhos’, instalado na entrada principal do Hospital de Braga até à próxima quinta-feira. Promovido pelos Núcleos de estudantes de Medicina, Enfermagem e Educação Básica da Universidade do Minho e o Hospital de Braga, a iniciativa, que vai já na sua quinta edição, tem com objectivo desmistificar os cuidados de saúde do hospital, procurando familiarizar as crianças com os profissionais de saúde, as consultas e outros procedimentos médicos que alimen- tam o conhecido ‘medo da bata branca’.

Mais de mil crianças, com idades compreendidas entre os 3 e os 8 anos, assumem o papel de pais e cuidadores dos seus pequenos bonecos, acompanhando-os pelos vários serviços médicos, interiorizando os cuida- dos necessários a que devem ser sujeitos para cuidar de uma panóplia de patologias.

Mafalda Soares, coordenadora do Departamento de Acção Comunitária do Núcleo de Estudantes de Medicina da UMinho explica que desmistificar o medo da ‘bata branca’ tão característico das crianças do pré-escolar - que faz com que desenvolvam uma certa ansiedade sempre que são consultadas por um médico - é um dos principais objectivos da acção. Mas não o único. “Esta é também uma oportunidade única para os estudantes de Medicina, Enfermagem e Educação Básica aqui presentes de poderem contactar com as crianças, público com quem vamos trabalhar no futuro, desenvolvendo técnicas de comunicação. A iniciativa traz, por isso, benefícios para ambos os lados”, avança a coordenadora.

O Hospital dos Bonequinhos parece surtir efeitos junto dos mais novos. “O que os pais e educadores destas crianças nos fazem chegar é, quando chegam a casa, relatam as inúmeras coisas que fizeram, todo o processo clínico médico e também alguns conselhos de saúde dados por alguns profissionais. E, o mais importante, é que deixam de ter tanta ansiedade quando consultadas por um médico”, diz.

De todas as áreas clínicas que compõem este Hospital dos Bonequinhos, a área da enfermagem é aquela que faz disparar os níveis de ansiedade. As conhecidas agulhas, que servem para ministrar vacinas ou fazer uma colheita de sangue, são as que colhem mais resistência por parte dos mais novos. “Uma coisa muita importante é que não mentimos. Não dizemos que a agulha não dói. Eles sabem que sentem. Simplesmente fazemos isso no seu bonequinho para que eles perceberem que é um procedimento necessário para tratar do seu amiguinho e que, quando for com eles, apesar de doer um pouco, é igualmente importante para voltarem a ficarem bons”, continua a coordenadora do NEMUM.

José Luís Carvalho, membro da Comissão Executiva do Hospital de Braga confessa que “esta é iniciativa que mais gozo nos dá acolher porque é maravilhoso vermos mais de mil crianças a visitaram o hospital e não terem medo de cá vir. É espantoso ver também o voluntarismo destes estudantes”, afirma o responsável da unidade bracarense, referindo-se aos mais de 300 jovens universitários que dão corpo a esta acção que decorre ehtre as 9 e as 18.30 horas.

Trezentos estudantes da UMinho dão vida a um hospital à escala dos mais novos

São perto de três centenas dos estudantes de Medicina, Enfermagem e Educação Básica da UMinho e de Nutrição da Universidade do Porto que dão vida a este Hospital dos Bonequinhos. São distribuídos pelos vários serviços deste hospital, construído à escala dos mais pequenos, desde a triagem até ao bloco operatório, sem esquecer a área de diagnóstico, colheita de sangue, farmácia e consultório médico. Nestas últimas edições foram introduzidas algumas áreas que não foram contempladas nas primeiras edições. É o caso da Nutrição e Dentária.

“Achamos que era importante introduzi-las. São estações em que se percebe quais os hábitos das crianças e onde deixamos alguns conselhos”, afirma Mafalda Soares, responsável do NEMUM, acrescentando que na edição do ano passado foi introduzida também a área de Enfermagem “uma área que consideramos crucial e por onde passam alguns dos seus principais receios”.

Francisco foi um dos enfermeiros de serviço neste hospital modelo. Coube-lhe a difícil missão de tranquilizar os mais novos na hora de recolher sangue aos seus bonequinhos. “Ainda ninguém chorou neste primeiro dia. Mas, o ano passado aconteceu”, diz-nos. Para os tranquilizar, Francisco procura apelar o papel de cuidador que cada criança tem em relação ao seu boneco “criando um papel de protecção sobre algo que é deles. E aí ficam mais tranquilos e até tentam ajudar”, diz.

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