Corrida eleitoral na Universidade

Braga

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José Paulo Silva

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O prazo para apresentação de candidaturas a reitor da Universidade do Minho (UM) foi fixado, definitivamente, entre os dias 20 deste mês e 10 de Setembro. O presidente do Conselho Geral, Luís Braga da Cruz, divulgou anteontem a composição da comissão eleitoral, bem como o edital para a eleição do reitor, acto agendado para o dia 7 de Outubro. António Cunha, presidente da Escola de Engenharia, é um dos nomes mais falados como possível candidato à sucessão de Guimarães Rodrigues. O actual reitor anunciou, no final de Junho, a decisão de não completar o actual mandato.

O edital para a eleição ao cargo de reitor, que terá divulgação nacional e internacional, explicita que o titular do cargo ‘deve ser uma personalidade de reconhecido mérito e experiência profissional relevante e possuir uma visão estratégica adequada à prossecução da missão e dos objectivos da Universidade, definidos nos termos estatutários’.
Podem candidatar-se ‘os professores ou investigadores doutorados da Universidade do Minho ou de outras instituições de ensino universitário ou de investigação, nacionais ou estrangeiras, em exercício efectivo de funções’.

António Cunha, que liderou a lista de docentes e investigadores vencedora das recentes eleições para o Conselho Geral - órgão que elegerá o novo reitor - é apontado nos meios académicos como candidato. Caso decida ir a eleições, o presidente da Escola de Engenharia terá que suspender o seu lugar no Conselho Geral. A seu favor tem os seis lugares da candidatura ‘Uma Universidade Com Futuro’ no Conselho Geral.
Este órgão é composto por 23 elementos, 17 eleitos em representação dos diversos cor-pos da UM, e seis externos cooptados.

Licínio Lima, catedrático do Instituto de Educação, que encabeçou a candidatura ‘Universidade Cidadã’ ao Conselho Geral, garantiu ontem ao ‘Correio do Minho’ que não será candidato a reitor.
Os quatro representantes do projecto ‘Universidade Cidadã’ reafirmam o compromisso de não apoiarem publicamente qualquer candidatura ao cargo de reitor.

Embora nada o impeça, Licínio Lima entende que os elementos do Conselho Geral devem abster-se de fazer campanha por qualquer candidato a reitor.
Tudo indica, nesta altura, que os quatro eleitos da lista ‘Universidade Cidadã’ (Licínio Lima, Pedro Oliveira, Lúcia Rodrigues e Manuel Pinto) se manterão no Conselho Geral, não avançando portanto para a corrida eleitoral.

Da parte do movimento ‘Novos Desafios, Novos Rumos’, que elegeu dois representantes dos docentes e investigadores ao Conselho Geral, o momento é de expectativa em relação às candidaturas a reitor que venham a surgir.
Cadima Ribeiro, elemento não eleito daquele movimento, deseja que ‘surja mais do que uma candidatura’.

‘Se surgir apenas uma candidatura será criada uma imagem distorcida daquilo que deve ser o futuro da UM’, opina aquele catedrático de Economia, que se tem assumido como uma das vozes mais críticas da gestão da actual equipa reitoral.
Apesar da escassa expressão no Conselho Geral, onde está representado por Eduarda Coquet e António Cândido de Oliveira, o movimento ‘Novos desafios, novos rumos’ não descarta a hipótese de fazer aparecer uma candidatura a reitor.

António Cândido de Oliveira entende que ‘o novo Reitor deve ter uma acção ao mesmo tempo diplomática e combativa na defesa dos interesses da Universidade, criticando os poderes públicos sempre que necessário, mas não se contentando com a mera crítica’.
O facto de nenhuma lista de docentes e investigadores ter peso suficiente para fazer eleger um candidato é um cenário que este movimento equaciona neste momento de arranque do processo eleitoral.

A eleição do novo reitor da UM surge após Guimarães Rodrigues ter anunciado, na reunião do Conselho Geral de 22 de Junho último, a renúncia ao mandato que poderia prolongar até Maio de 2010, atendendo ao novo enquadramento estatutário e invocando o interesse institucional da universidade.

Audição pública dos candidatos com recurso à Internet

A transmissão via Internet em tempo real foi a fórmula escolhida pelos membros do Conselho Geral da UM para assegurar a efectiva audição pública dos candidatos a reitor.
O regulamento eleitoral aprovado fixa que ‘a transmissão em tempo real da audição deverá ser devidamente assegurada, nomeadamente com recurso às novas tecnologias de informação e comunicação’.
As audições estão agendadas para o dia 6 de Outubro, um dia antes da eleição.

O recurso à Internet para dar divulgação alargada das audições dos candidatos a reitor não é novidade, tendo sido também opção seguida pela Universidade de Lisboa na eleição recente do reitor António Nóvoa.
O novo reitor da UM será eleito para um mandato de quatro anos, exercendo as suas fun-ções em regime de dedicação exclusiva. Será eleito o candidato que obtiver a maioria absoluta de votos dos membros do Conselho em funções.

Se nenhum candidato obtiver a maioria absoluta, realiza-se um novo escrutínio com os dois candidatos mais votados, sendo eleito o que obtiver maior número de votos.
A comissão eleitoral que decidirá sobre a admissão das candidaturas é presidida por Luís Braga da Cruz, presidente do Conselho Geral, e integra Pedro Nuno Ferreira Pinto Oliveira, Jorge Manuel Rolo Pedrosa, Maria Fernanda Teixeira Ferreira e Ana Rita Ribeiro.

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