Freeport: Associação Força Emergente quer 'alterar sistema político'

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Lusa

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A associação Força Emergente foi constituída em Janeiro para 'alterar o sistema político' e não exclui vir a constituir-se assistente noutros processos judiciais para além do Freeport, disse à Lusa um dos fundadores.

Carlos Luís sublinha que a prioridade da associação que a 25 de Junho obteve o estatuto de assistente no caso Freeport é 'fazer uma intervenção cívica com objectivos políticos', seguindo o princípio de que 'o mesmo voto que serve para eleger tem de servir para demitir'.

A associação, que ontem apresentou um pedido de afastamento da procuradora-geral adjunta Cândida Almeida do caso Freeport, não está, 'por enquanto', a pensar constituir-se assistente noutros processos judiciais, mas Carlos Luís não exclui essa possibilidade.

Para o movimento, o actual sistema político defende 'os interesses políticos e partidários e não dá abertura nenhuma para a população poder contestar os maus governos e os maus políticos que vão passando pelo país'. Simultaneamente, acredita, 'o poder político domina e controla o poder judicial'.

A associação, diz Carlos Luís, 'está aberta' a colaborar 'com movimentos e pequenos partidos políticos'. Sublinhando que 'não há condicionamentos ideológicos' - embora 'a maioria' dos membros e apoiantes se identifique com 'ideologias do centro, PS-PSD' e com partidos como o Movimento Mérito e Sociedade (MMS) e o Movimento Esperança Portugal (MEP) -, Carlos Luís diz que 'a alteração do actual sistema político é a grande batalha' da associação.

'Não há militantes activos em partidos entre os membros' da Força Emergente, sublinhou.

O fundador não adiantou o número exacto de membros, apenas referindo que a associação tem 'centenas de pessoas apoiantes'. 'Não somos um partido, nem pretendemos caminhar para isso, de forma que não procuramos engrossar as hostes', desvalorizou.

Entre os 'apoiantes' da associação está José Maria Martins, advogado entretanto suspenso pelo conselho disciplinar da Ordem dos Advogados por três anos (decisão da qual recorreu e que ainda não tem decisão final), tem prestado assistência jurídica à Força Emergente, sendo responsável pela redacção do pedido de recusa da procuradora-geral adjunta Cândida Almeida.

Sobre o seu projecto político alternativo, Carlos Luís diz que a associação 'pretende apenas colaborar na discussão', frisando: 'Não queremos indicar um caminho estreito, a solução pode passar por um sistema presidencialista ou pela democracia directa.'

O processo-crime relativo ao centro comercial Freeport de Alcochete conta já com vários arguidos e prende-se com alegadas suspeitas de corrupção e tráfico de influências no licenciamento daquele espaço, em 2002, quando o actual primeiro-ministro, José Sócrates, era ministro do Ambiente.

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