joão carlos taveira
(enviado-especial à Suécia)
Boras - O Sporting de Braga deixou na Suécia o seu primeiro objectivo para a temporada 2009/2010. A Liga Europa já era. Restam os jogos internos mas a preocupação deve ser mais do que muita por aquilo que ontem se viu na Escandinâvia, pois os arsenalistas, pese embora tenham iniciado o jogo com nove jogadores que transitaram da época passada, nunca se revelaram como uma equipa.
O Sporting de Braga foi um conjunto de guerreiros que nunca conseguiu formar uma legião. A legião que se esperava para a partida de ontem, com atitude e agressividade, no bom sentido, para vencer a batalha que tinha pela frente. Os gverreiros do Minho tinham de deixar a pele em campo, serem levados pelas valquírias para o Valhalla da Liga Europa, como já haviam feito em ocasiões anteriores, mas foram fracos e destes a história não reza. Os vikings mostraram-se sempre superiores, mais fortes e, neste altura, Odin parece estar satisfeito com o prazer que os seus lhe deram ao derrotarem uns gverreiros do Minho de pouca garra.
Foi uma primeira parte em que o Sporting de Braga nunca conseguiu pegar no jogo. Bem tentou, mas a equipa sueca, tal como no jogo da primeira mão, revelou-se sempre mais forte. As duas equipas entraram em campo com esquemas semelhantes mas a diferença esteve na pressão exercida sobre o portador da bola - Keene foi um exemplo -, por vezes com mais de um jogador, e isso foi o quanto baste para que os arsenalistas não conseguissem pegar no jogo. Quando o faziam, os gverreiros do Minho jogavam de uma forma lenta, com os passses muito denunciados e alguns transviados, faltando poder de fogo para chegar à baliza de Covic.
Possebon, o homem que deveria ter por missão catapultar a equipa para a reviravolta não foi aquilo que, por certo, Domingos Paciência desejava e daí que, tardiamente, talvez, o técnico minhoto o tenha retirado do jogo fazendo entrar Kalaba.
No lado contrário, o treinador sueco não fez grandes alterações à forma como tinha jogado em Braga. Pressionar o adversário para conquistar a bola, sair rápido para o ataque e nesse aspecto esteve bem, pois, numa dessas saídas, Ishiaki conduziu a bola até ao meio-campo do Braga, sem que alguém saisse a pressionar, entregou na direita a Karlsson que cruzou para Keene encostar. Aos 15 minutos, tal como no jogo da primeira mão o Braga estava a perder e não conseguiu reagir, pois quinze minutos depois, Bajarmi fez gato sa-pato de João Pereira, cruzou rasteiro, Mobaek rematou e a bola foi embater em Keene que fez o golo em posição de fora de jogo.
Domingos Paciência ainda tentou mexer com a equipa. Fez sair Diogo Valente e entrar Mateus, mas colocou Kalaba na faixa direita, ficando a sua equipa sem um elemento que pudesse municiar o ataque pela zona frontal à baliza adversária já que Mossoró nunca mostrou tal f
aceta. Foi um Braga sem ideias aquele que ontem esteve na Suécia. Uma ima-gem mórbida de um conjunto que nunca conseguiu actuar como tal. A entrada de Paulo César nada trouxe de novo e foi mesmo a equipa sueca quem esteve sempre mais perto de aumentar a vantagem.
A equipa minhota deixa uma imagem muito preocupante nos dois jogos que realizou para a Liga Europa, com uma série de equívocos, de uma equipa que parece ser a primeira vez que joga junta. A defesa revelou uma tremideira inusitada, o meio campo não foi capaz de servir o ataque e este não concretiza. Assim é complicado e o camponato começa dentro de, praticamente uma semana. Antes do que para esquecer, este jogo, diria mesmo os dois jogos, devem servir de exemplo para o futuro, mas para já, deve-se questionar: Assim, onde vais, Braga?.
Domingos Paciência: 'Não consegui colocar a equipa na máxima força para estes jogos e nos seus limites'
Semblante carregado aquele que Domingos Paciência apresentou na conferência de imprensa do final do jogo. As coisas não correram de feição, mas Domingos pediu paciência. O técnico bracarense começou por afirmar que 'não se pode dizer que foi mal de mais. Neste segunda não fomos melhores do que no primeiro jogo mas é complicado quando começamos a perder logo aos 15 minutos com um erro, com uma bola perdida dentro do campo'. O treinador dos minhotos afirmou ainda que 'a partir daí complicaram-se as coisas mas a equipa continuou a trabalhar. Temos de dar os parabéns ao Elfsborg que é uma equipa muito mais trabalhada do que nós'.
Domingos sentiu que 'a equipa estava com dificuldades mas sabia que tinhamos de ir á procura de golos. Tinhamos de ir à procura do resultado. Um golo acaba por mudar o jogos e, aos 30 minutos, o jogo acabou por mudar, passou a ser outro, e a equipa por muito que pretendesse, pela solidez que algumas vezes revelou não foi capaz', reconheceu o treinador.
O técnico arsenalista diz não ter havido excesso de confiança e acabou por reconhecer 'os erros', acrescentando que 'assumo a minha responsabilidade pelo pouco tempo que tive para preparar a equipa e várias lesões.É dificil programar um jogo com estas condicionantes. Não consegui colocar a equipa na máxima força para estes jogos e nos seus limites'.
Agora os objectivos estão apontados para as provas internas, Domingos Paciência afirmou que 'o objectivo é ganhar, ganhar títulos'. 'Vim para Braga para fazer mais e melhor. O objectivo de ganhar a Taça de Portugal, a Taça da Liga e fazer um bom campeonato isso é ganhar' e desdramatizou a eliminação da Liga Europa dizendo que 'em termos de Europa, o Braga na época passada fez uma boa carreira mas não é candidato. O objectivo era entrar na fase de grupos e como não conseguimos, agora vamos lutar pelos objectivos nacionais e estou confiante em que vamos conseguir isso.'
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