Felisbela Lopes, docente do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho (UM), afirma que a televisão é a “principal fonte da população portuguesa”, do ponto de vista informativo. Isto demonstra o “papel importantíssimo” que a televisão desempenha junto da sociedade, revelando-se um meio com “enorme centralidade” tanto junto das pessoas como dos próprios media.
Televisão tem “responsabilidade enorme”
Segundo a também investigadora, o poder de agendamento e a actualidade noticiosa característicos da televisão ampliam a sua importância e impõem-lhe uma “responsabilidade enorme”.
O surgimento de novas tecnologias retira, de acordo com a docente, espaço à televisão. “As novas tecnologias, como a Internet, multiplicam lugares de informação”, refere.
Felisbela Lopes adianta que a televisão “tem de saber multiplicar esses lugares”, pondo-se a par dos novos meios de informação.
Quando questionada sobre o possível papel educativo da televisão, Felisbela Lopes afirma não ser apologista dessa visão. O dever da televisão, diz, é o de “informar com rigor”.
E acrescenta: “não devemos olhar os media com intuitos educativos, o seu fim primeiro não é educar”. A docente, cuja tese de doutoramento versa sobre a televisão, prefere olhar o carácter educativo da televisão como uma consequência do seu rigor e não como um objectivo principal.
Canais generalistas são monotemáticos
Para a formação dos públicos contribui ainda a programação dos canais generalistas, a qual, defende, “não é assim tão monocórdica”. No entanto, salvaguarda, olhando para os canais de forma isolada, estes revelam-se “monotemáticos e não promovem grande diversidade”.
Apesar disso, Felisbela Lopes assume-se como uma “telespectadora atípica”. “Vejo múltiplos conteúdos, maioritariamente informação”, prossegue.
A investigadora da UM diz acompanhar regularmente os telejornais e canais noticiosos, sobretudo no período da noite. “Durante o dia não tenho tempo”, lamenta. Ainda assim, afirma que tenta ver “pelo menos uma edição de cada programa”, desde concursos e telenovelas a programas noticiosos.
Televisão “é quase imprescindível”
O actor Almeno Gonçalves, natural de Braga, mas a residir em Lisboa, defende que a televisão “tem mesmo muita importância na vida das pessoas”. “É quase imprescindível”, declara.
Na sua opinião, as novas tecnologias podem retirar alguma visibilidade à televisão, que passará portanto a ocupar “um espaço menor” na vida das pessoas.
No entanto, prossegue, a televisão deve manter o seu papel educativo e de formação de públicos. “Não sei se existe essa consciência formadora por parte dos canais televisivos”, afirma, referindo ainda que a principal preocupação dos canais televisivos é o lucro.
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Ainda assim, Almeno Gonçalves defende a participação da televisão, principalmente do serviço público, na formação dos telespectadores.
O actor admite ainda não ver muita televisão, apesar de tentar sempre ver os programas em que participa. E justifica: “o teatro consome muito tempo”.
Bracarenses revelam preferências
A propósito do Dia da Televisão, o ‘Correio do Minho’ foi saber o que os bracarenses pensam sobre a televisão. Em geral, as pessoas confessam que não passam muito tempo em frente ao pequeno ecrã. A noite é o período em que todos dedicam mais tempo à televisão, uma vez que o emprego ocupa geralmente a maior parte do dia.
Os homens apontam o desporto e a informação como os produtos que mais consomem, enquanto que as mulheres elegem as telenovelas. Os documentários também entram nas preferências dos entrevistados, com os canais por cabo a liderarem as escolhas.
Enquanto que para uns a televisão é uma companhia sem a qual é difícil imaginarem-se, para outros é um produto ao qual não dão importância e sem o qual passariam bem.
Sónia Gonçalves não perde as telenovelas
Comerciante de carnes com estabelecimento no centro da cidade, Sónia Gonçalves confessa que lhe resta pouco tempo para se sentar no sofá a ver televisão. Mesmo assim, esta bracarense garante que não perde as telenovelas.
“Só costumo ver novelas, tanto portuguesas como brasileiras”, diz, acrescentando que só vê televisão à noite. Sobre novelas, Sónia Gonçalves assume-se como “perita no assunto”: “As telenovelas portuguesas são boas, estão a ficar muito boas”.
Actualmente, a comerciante segue três novelas: “Sei o nome de todas”, começa por dizer, mas depois lá se percebe que afinal só fixou o título de uma (‘Deixa que te leve’) embora saiba descrever perfeitamente a história das outras duas.
Sónia Gonçalves considera que o ser humano já não consegue viver sem a televisão e sem o telemóvel. “Se nos tirassem a televisão e o telemóvel ficávamos desnorteados”, conclui.
José Alves gostaria que Braga tivesse um canal
“Costumo ver televisão, quase sempre o canal ‘Panda’ por causa do meu neto”, revela José Alves. Apesar de o canal de desenhos animados ser o mais visto em sua casa, José Alves diz que prefere canais como o ‘Hollywood’, ‘Odisseia’ ou ‘National Geohraphic’. Os documentários são os programas a que gosta de assistir, confessando não apreciar telenovelas. “Não vou em telenovelas, mas quando há desporto na televisão nunca falho!”, admite.
Quanto ao que mais gostaria de ver na televisão, José Alves diz que “gostava de ver mais divulgação de Braga”. “Braga é uma cidade de que a televisão só fala quando há tragédias”, lamenta. José Alves diz ainda que gostaria que Braga tivesse “um canal de televisão” porque, como bracarense, “queria que a cidade aparecesse mais” no ecrã.
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