O primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, saudou hoje os resultados “muito positivos” da XIX Cimeira ibero-americana, que hoje terminou no Estoril e que permitiu “renovar o espaço ibero-americano.
“Faço uma avaliação positiva desta cimeira porque apostou em temas concretos”, afirmou no Estoril, referindo-se à inovação, ao conhecimento e ao ambiente.
“A Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB) vai agora avançar com todos os acordos que se vão traduzir em benefícios para a comunidade ibero-americana e reduzir a sua distância face a outras comunidades, em termos de desenvolvimento e bem-estar”, disse.
Zapatero falava aos jornalistas depois do encerramento da XIX Cimeira Ibero-Americana, que decorreu no Estoril e que ficou marcada pela polémica em torno às Honduras.
O primeiro-ministro espanhol referiu-se também à “transcendência histórica” da cimeira de Copenhaga, “um dos grandes desafios” que enfrenta a sociedade.
“Toda a comunidade ibero-americana está firmemente comprometida em conseguir um acordo em Copenhaga que marque um rumo de redução das emissões com compromissos efectivos como os que colocou a UE”, disse.
“Ainda temos um período de negociação que vai ser difícil, mas as últimas posições dos EUA e da China abrem uma certa janela de esperança”, afirmou ainda.
Zapatero destacou ainda os trabalhos para “relançar as negociações do Mercosul, centro América e comunidade andina no seu processo de acordos de associação com a UE”.
“Vai relançar-se a conversação para uma nova ronda negocial destes três esp
aços com a UE”, disse.
O chefe do Governo destacou ainda as avaliações de vários projectos implementados no passado no espaço ibero-americano, incluindo o acordo de reciprocidade na Segurança Social “que arranca ainda este ano” e que “vai proteger milhões de trabalhadores e dar segurança nas relações laborais e processos de reformas”.
Igualmente positiva foi a implementação do Fundo da Água, uma iniciativa impulsionada por Espanha, “destinada à coesão social” e que já se traduziu em 400 projectos, num investimento de 900 milhões de dólares (597 milhões de euros) que afectou a vida de 15 milhões de pessoas”.
“E o país onde mais se investe nem pertence ao sistema ibero-americano, o Haiti, o mais pobre desta região”, afirmou.
Agradecendo o trabalho do Governo português nesta cimeira do Estoril, Zapatero sublinhou que para os dois países ibéricos estas cimeiras são “um projecto político consubstanciado pela política exterior” de Portugal e Espanha.
Espanha, por seu lado, renovou o seu compromisso com a comunidade ibero-americana, um espaço com o qual comparte “uma identidade comum” e cuja voz quer ajudar “a fortalecer no mundo”.
O chefe do Governo espanhol manifestou-se esperançado que as várias propostas aprovadas na cimeira do Estoril, incluindo iniciativas como o Ibero-América Inova, sejam agora implementadas e consolidadas.
Para Zapatero a próxima cimeira, em 2010 na Argentina, é “um bom momento para uma avaliação global do processo de consolidação de um sistema de cimeiras que tem vindo a progredir e que tem por diante novos desafios”.
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