“O Jerónimo é uma referência na minha vida. Inspirou-me, não só como ser humano, mas também como artista”. Com estas palavras, o barcelense Afmach mostra a importância que o pintor bracarense teve não só na sua vida artística, mas também a nível pessoal.
Afmach é um dos 22 artistas que integram a exposição colectiva de homenagem a Jerónimo, patente até ao próximo dia 8 de Janeiro, na ‘Galeria d’Arte Nímbus’, no Centro Comercial dos Grajinhos.
Para esta exposição, Afmach ofereceu uma tela onde retrata a feira de Barcelos. “É uma tela que eu já tinha pintado antes de surgir esta exposição, mas que achei a ideal para oferecer”, revelou ao ‘Correio do Minho’, explicando que “o Jerónimo era um pintor apaixonado pela feira de Barcelos devido ao movimento e à cor”.
Afmach — nome artístico de António Fernando Leite Machado — foi amigo pessoal de Jerónimo. “Dele guardo essencialmente a bondade e a revolta, a insatisfação. Ele era muito amigo, sobretudo dos mais carenciados, e era inimigo de injustiças”, refere.
Em Jerónimo, Afmach viu também uma “revolta transcendente”, um artista que “queria sempre ir mais além” e cuja pintura “era sempre um grito de raiva”.
Afmach fala de Jerónimo com emoção
Sem conseguir disfarçar a emoção na voz, o pintor barcelense dá graças por ter tido oportunidade de conviver com Jerónimo, sobretudo nos seus últimos anos de vida.
Sobre a exposição de homenagem ao pintor bracarense, Afmach confessa que na inauguração sentiu “uma grande alegria, pois ele já merecia”.
O artista barcelense considera que aind
a não foi dado o devido valor à obra de Jerónimo: “acho que ele é conhecido sobretudo em Barcelos, mesmo em Braga creio que não tem a mesma projecção. Ele não se adaptava muito bem à sociedade bracarense. Era um pintor com excentricidades lindíssimas, tão ou mais do que a pintura dele”.
A rematar a conversa com o ‘Correio do Minho’, Afmach fez questão de voltar a vincar o quanto considera que Jerónimo foi “um ser humano impressio-nante e inspirador”.
“A minha pintura é uma busca constante”
Jerónimo foi também importante para que Afmach decidisse enveredar definitiva e exclusivamente pela pintura. “A primeira exposição que vi foi em Barcelos e foi precisamente uma mostra de pintura do Jerónimo. Acho que foi aí que nasci para a pintura. Foi a minha grande motivação”, revelou ao ‘Correio do Minho’.
Há trinta anos que este barcelense se dedica em exclusivo à arte, mas reconhece que as coisas nem sempre foram fáceis.
“Agora sou conhecido, mas o início da minha carreira não foi fácil, foi uma luta muito dura”, lembra, sublinhando que apesar das adversidades sempre acreditou no seu trabalho. “Hoje em dia consigo viver só da pintura, que era o meu grande sonho. E vai ser assim até ao meu fim”, frisa.
Sobre a sua pintura, Afmach diz: “a minha pintura é uma busca constante. Tento sempre criar algo novo”.
Com atelier de pintura próprio na cidade de Barcelos, Afmach está actualmente a trabalhar numa exposição que vai fazer no Porto.
Os seus trabalhos já integraram exposições em todo o país e no estrangeiro. Em Londres, na Inglaterra, por exemplo, já fez duas exposições.
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