Viana do Castelo: Freiras do convento de Alvarães dispensam hábito, mas não a Internet

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Lusa

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No convento de Alvarães, no distrito de Viana do Castelo, os costumes parecem estar a mudar, com as freiras a dispensarem os hábitos, a navegarem na internet e a integrarem as redes sociais.

Apesar desta abertura, comparando com épocas anteriores de maior clausura, e que será generalizada em Portugal, são cada vez menos as mulheres que seguem esta vocação.

Uma das exceções a esta tendência é Sofia Pereira, que tem 33 anos e é freira desde 2000, ano em que fez os seus votos de pobreza, castidade e obediência, passando a integrar a Congregação das Irmãs Missionárias do Espírito Santo.

'Nunca usei hábito', refere, à Lusa, Sofia Pereira, admitindo, no entanto, que 'facilmente as pessoas descobrem' que é freira.

'Reconhecem-me pela cruz que trago ao peito, pela linguagem e pela simplicidade no vestir e no relacionamento com os outros', acrescenta.

Natural de Braga mas 'recolhida' em Alvarães, Viana do Castelo, Sofia Pereira fez parte da associação ambientalista Quercus e confessa que na adolescência teve as suas 'paixonetas', mas 'nunca nada de sério'.

'Alguns moços andavam atrás de mim, houve paixonetas mas nunca permiti que as coisas avançassem. Sentia que aquilo não me completava, não me preenchia. Sentia que precisava de liberdade para ter disponibilidade total para os outros', refere.

No 'convento' onde atualmente vive, Sofia tem tempo para navegar na internet, tendo conta aberta no 'Facebook', uma rede social onde reúne os seus amigos.

'Hoje, uma freira faz os mesmos votos que se faziam antigamente, mas os tempos são necessariamente diferentes. Não há clausura, há mais abertura', aponta.

A prova disso é que Sofia Pereira está a tirar o curso superior de Gestão, para, no futuro, gerir da melhor maneira 'os parcos recursos' da congregação a que pertence.

As freiras, fruto do seu voto de pobreza', não podem ter salário, pelo que os rendimentos que auferem com o exercício de qualquer actividade revertem para um fundo comum de cada congregação.

'Apenas temos uma espécie de mesada, entre 100 a 150 euros, para as nossas pequenas coisas do dia a dia', explica.

Admite que esta poderá ser uma das razões pelas quais o número de freiras em Portugal tem vindo a reduzir progressivamente.

Segundo Maria Celeste Martins, responsável pelo convento de Alvarães, atualmente haverá em Portugal cerca de 70 freiras da Congregação das Irmãs Missionárias do Espírito Santo, quando já chegaram a ser mais de 110.

'A cada vez menor religiosidade, as famílias pouco numerosas e a libertação da mulher poderão ser outras explicações para a diminuição', referiu a irmã Maria Celeste.

Segundo dados da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal, divulgados pelo semanário Sol, em 2008 havia 5417 freiras em Portugal, contra as 7995 existentes em 1992.

'Muitas morreram entretanto e algumas foram desistindo', explicou Maria Celeste.

Sofia Pereira é que garante que desistir não lhe passa pela ideia. Já fez uma missão no Gana e, após terminar o seu curso, espera poder partir para a Ásia.

'Sinto dentro de mim um grande desejo de partir, de servir os outros', confessa.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

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