UE: entre a falência e o optimismo

Braga

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“União Europeia: que Europa depois da crise?”. A esta pergunta responderam, ontem, na Escola Profissional de Braga, de forma diversa, três deputados da Assembleia da República, um ex-dirigente partidário e uma eleita na Assembleia Municipal de Braga. Dos cinco convidados do Departamento de Comunicação e Marketing daquele estabelecimento de ensino, José Lello, deputado do PS, foi o mais optimista relativamente às capacidades da UE para sair da actual crise económica e financeira.

Manifestando “alguma preocupação” pelos ataques dos especuladores à moeda única europeia, Lello reconheceu que o recente acordo sobre a adopção de um plano de socorro histórico que pode chegar a 750 biliões de euros para ajudar os países da zona do euro a pôr fim à crise financeira é demonstrativo de “coesão e solidariedade”.

Já Altino Bessa, deputado do CDS/PP eleito pelo distrito de Braga, entende que a crise veio revelar “o descontrolo total” da resposta das instituições europeias, com os seus dirigentes a não saberem que medidas tomar. Focando a sua intervenção sobre as consequências da actual crise em Portugal, o representante do CDS afirmou que “o Plano de Estabilidade e Crescimento está completamente desactualizado”.

Actual UE só com Federação

Já afastado das lides partidárias, Manuel Monteiro, ex-líder do CDS/PP e do Partido da Nova Democracia, declarou que o actual modelo da União Europeia só funciona com uma federação”. Embora se assuma como não federalista, Monteiro referiu que “este modelo de União Europeia faliu, não tem solução a não ser que haja coragem para evoluir para uma Federação” aberta apenas aos países que a ela queiram aderir.

Em nome do Bloco de Esquerda, a deputada municipal Paula Nogueira recusou a ideia de que a receita para a actual crise económica e financeira da Europa passe pelo aumento de impostos e pela redução de benefícios sociais e de salários.
“Isto não é uma fatalidade”, considerou a bloquista, propondo, em alternativa, “uma Europa solidária, com outro trata-do que revogue o de Lisboa, não a Europa do Euro, sim a Europa que promova o pleno emprego”. Honório Novo, outro dos intervenientes no debate da Escola Profissional, sentenciou também “a falência deste modelo de União Europeia”, dada a “incapacidade das suas instituições em dar resposta” à crise.

Para este deputado do PCP, a crise provocada pela dívida grega “mostra a falência desta União e dos seus órgãos”. Sobre a resposta do Governo português à crise, Honório Novo entende que “não é com o corte no investimento público que se consegue reduzir o défice”, criticando também o previsível aumento de impostos que “o bloco central vai anunciar”.

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