Miguel Corais: Parque de Exposições seduz associações empresariais

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José Paulo Silva

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P - A missão que lhe foi confiada foi a de ‘liquidar’ o Parque de Exposições de Braga (PEB) ou transformá-lo em algo diferente?

R - A missão que foi confiada foi gerir o PEB. É óbvio que, no quadro de gestão de uma organização, há que olhar para o contexto em que ela está inserida e tirar partido do próprio contexto. Eu não acredito que a minha missão seja de liquidatário do PEB. É verdade que aquilo que sentimos que tem sido bem feito é para manter e que é preciso fazer todas as adaptações de mercado. Entendemos que, no contexto em que estamos, o PEB deve afirmar-se ao nível dos eventos. Temos de procurar outras alternativas às feiras. A leitura que esta administração faz é que, comparativamente com outras organizações, temos algumas limitações. Na verdade, não temos nenhuma associação empresarial associada. Neste contexto de crise, a associação de uma entidade empresarial beneficiaria muito a organização de feiras.

P - A Associação Comercial de Braga mudou-se, no que respeita à organização de eventos económicos, para Vila Verde. A Associação Industrial do Minho faz apenas uma feira em parceria com o PEB: a Expomotor. Há possibilidade de avançar para parcerias mais consistentes?

R - Da nossa parte estamos disponíveis para encontrarmos parcerias mais reforçadas, para promover um conjunto de feiras e eventos que apoiem a nossa economia e o turismo de negócios. As feiras e congressos provocam turismo. Não vemos que a Associação Comercial de Braga não possa organizar eventos no nosso recinto. Não vejo o recinto de Soutelo, Vila Verde, como concorrente do PEB.

P - Por que é que se mantém esta divisão entre o PEB e as associações empresariais?

R - Não sei se existe essa separação. Seria uma vantagem para todos nós olhar para o PEB com essa envolvência com as associações. Se olharmos para os nossos vizinhos espanhóis, o modelo dos recintos ferias é construído de uma forma mais consistente e racional. Qualquer recinto tem a participação do poder político, de uma associação empresarial e das pró-prias autarquias. É um modelo de quem todos beneficiam.

P - Defende uma participação das associações empresariais no capital do PEB?

R - Há uma grande vantagem, numa óptica de gestão, a existência de só um accionista que é a Câmara de Braga. Na perspectiva de criar alguns efeitos si-nergéticos na organização de feiras, é fácil perceber as vantagens em ter uma associação empresarial por trás, pelo potencial de associados para participar nas próprias feiras. Se olharmos para a Feira Internacional de Lisboa ou para a Exponor, que são dimensões diferentes do PEB, vemos que têm associações empresariais.

P - Quem deve dar o primeiro passo?

R - Os passos têm de ser dados por todos.

P - Nestes primeiros meses de mandato tem procurado o diálogo com as associações empresariais?

R - O que eu sinto é que temos óptimas relações com a Associação Comercial de Braga e com a Associação Industrial do Minho. No quadro institucional há boas relações. Já tivemos algumas conversas, mas nada de concreto. Estas coisas vão-se construindo.

P - Ou já deveriam estar construídas?

R - Aquilo que eu posso responder é que todos teríamos a ganhar se já estivessem construídas. Aquilo em que esta administração acredita é que todos ganhamos se conseguirmos construir as parcerias. Não podemos ter aquela visão departamental que ainda existe. O que faz sentido é pensarmos para além das nossas próprias portas. Não podemos pensar só no espaço que gerimos.


P - Quando fez o balanço da última edição da Agro - Feira Internacional de Agricultura, Pecuária e Alimentação afirmou: “Salvámos a Agro”. Disse isso com algum alívio?

R - Sim. Eu acho que são poucas as cidades que têm uma estrutura como o PEB. Temos um pavilhão com 6 500 m2, uma área exterior com 42 000 m2 e um auditório de 1 200 lugares. Quem acha que o PEB não tem uma função, não está a olhar para todo o activo que a empresa tem sob a sua gestão.

P - O problema é rentabilizá-lo ao longo do ano...

R - É preciso começar a ter uma visão estratégica. Não é a administração que vai salvar o PEB. É necessário que as várias entidades, que os próprios bracarenses e não só vejam que o PEB tem uma função e que lhe dêem a mão.

P - Essa mensagem é dirigida aos parceiros que não se têm aproximado do PEB?

R - Esta é um a mensagem para toda a gente. Muitos municípios não têm uma estrutura deste género que serve para muita coisa. Eu olho para o espaço do PEB para além das feiras. É lógico que as feiras, e sobretudo a Agro, são a razão de ser do PEB. Olho para a Agro como uma marca de algo que é bem feito em Braga, apesar de Braga não ter um sector agrícola forte. É extremamente importante o protocolo que assinámos com a Exponor, que nos vai permitir organizar uma feira agrícola em Angola.

P - Ainda este ano?

R - Dificilmente será este ano. Estamos a apontar para 2011. Este protocolo demonstrou que nós é que temos as condições para ter uma feira internacional e que possa ser, como foi no passado, a verdadeira feira agrícola nacional.

P - Já disse que quer fazer do PEB, para além de um recinto de exposições, o salão de festas da cidade de Braga. Quer explicar esse conceito?

R - Essa foi uma mensagem para os bracarenses. Muitas vezes achamos que o PEB está fora do centro da cidade, e não está. As pessoas desabituaram-se de ir ao PEB, de ir ao Parque da Ponte. No passado tínhamos o Estádio 1º de Maio como casa do Sporting de Braga...

P - Têm de criar outro tipo de atractividade?

R - Claro. É preciso ter um calendário, ter sempre eventos. A ideia do ‘salão de festas’ surgiu nesta última edição da Agro, com o palco que montámos e com a zona de restauração, o que deu para perceber que muitas festas e outros eventos podem fazer-se no PEB. Nós temos um recinto aberto e integrado na malha urbana que usamos pouco.

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