Tirar férias das férias para aprender mais

Ensino

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Patrícia Sousa

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Como se tira uma impressão digital do DNA? Como se produz cerveja ou iogurte? Qual a velocidade da luz em meios transparentes? A solução para estas e muitas mais perguntas foram descobertas pelos 16 jovens estudantes das escolas do distrito que participaram nos estágios de Ocupação Científica no Verão promovidos pelos departamentos de Biologia e Física da Escola de Ciências da Universidade do Minho, em colaboração com o programa Ciência Viva (Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica) - Ocupação Científica no Verão.

Durante a tarde de ontem, os jovens dos 10.º e 11.º anos das escolas secundárias apresentaram os projectos realizados em laboratório durante uma semana e receberam o diploma de participação.
Os jovens aceitaram o desafio, lançado pela terceira vez pelo Departamento de Biologia da U.M., e tiraram férias às férias, aproveitando a oportunidade para aprenderem mais um pouco.

“Queremos proporcionar aos alunos, especialmente motivados para esta área científica, a possibilidade e o gosto de trabalharem em investigação, nos laboratórios”, começaram por justificar as responsáveis e coordenadoras do projecto, Maria Teresa Martins Almeida e Maria Judite Almeida, assegurando que “a ideia é tornar a Biologia mais atractiva”.

Dos 16 jovens que participaram, 12 ocuparam-se de pequenos projectos de investigação na área da Biologia. “Este projecto realiza-se pelo terceiro ano consecutivo, mas desta vez o projecto foi incluído e subsidiado pelo programa Ciência Viva.

A escola promoveu durante a semana passada diversas actividades abertas às escolas e ofereceu aos alunos do secundário estágios de ocupação científica no Verão, permitindo uma aproximação à realidade da investigação científica e tecnológica. “Durante uma semana os alunos aprenderam muita coisa e tiveram a oportunidade de fazer pequenas investigações e de trabalharem em laboratório”, sublinharam as docentes, lembrando que “quando os alunos fazem visitas são feitas num espaço restrito onde só vêem, não tocam. Aqui eles experimentam e fazem experiências de verdade e o objectivo é captar os melhores alunos”.

Os pedidos chegam de várias escolas. A ideia é “envolver a escolas nesta actividade. E o certo é que muitos professores não se limitaram a vir no primeiro dia com os alunos”, atiram, ainda, as responsáveis, explicando que “a escolha dos alunos é feita pela escola entre os alunos do 10.º e 11.º anos, sendo escolhidos por mérito”.

E a experiência, garantiram, “foi extraordinária”. E foram mais longe: “estamos encantados com os alunos, mostraram-se mais motivados muito interessados. Assim é mais fácil trabalhar e os professores que os acompanharam estão muito satisfeitos com a prestação de todos eles. Notava-se que queriam saber mais sobre como funciona o ambiente em laboratório”.

Os alunos, contaram ainda, “chegavam sempre muito curiosos e, além disso, ultrapassaram aquela ideia de que o laboratório é algo velho com pessoas velhas. Agradou-lhes ver laboratórios arejados e novos e os investigadores de mestrado e doutoramento todos relativamente jovens, o que tornou muito fácil o relacionamento”.

Este projecto “foi um investimento para o Departamento de Biologia mas chega-se à conclusão que valeu a pena, foi pena não conseguirmos acolher mais alunos”. E justificaram: “vivemos uma ambiente agradável e conseguiu-se criar um ambiente quase que familiar entre todos os envolvidos nos projectos”.

Esta foi, segundo as professoras, “uma forma diferente dos jovens ocuparem as férias, mostrando-se sempre interessados e exigentes, mas nunca esquecendo também a parte lúdica”.
Tratou-se, asseguraram ainda, “de uma actividade séria e rigorosa. Foram cinco dias de Ciência Viva e isso só é possível se os alunos já tiveram uma base de trabalho. Isto dá muito gosto e eles saem satisfeitos”. Até porque “a concretização destes projectos implicaram muita especificidade nos equipamentos. Mas acaba por ser um investimento que corresponde às expectativas de todos que trabalharam para que fosse possível”.

Uma aventura pela Ciência

Foram os mais novos investigadores da Universidade do Minho (UM) por uma semana. Seis escolas do distrito escolhe- ram os melhores alunos para viverem uma experiência “única”: desenvolver pequenos projectos de investigação em dife- rentes áreas da Biologia e da Física, no âmbito do programa Ciência Viva - Programa de Ocupação Científica nas Férias.
Os alunos estavam “entusiasmados” com a experiência e os responsáveis dos departamentos “impressionados” com o “interesse e motivação” dos jovens.

Em colaboração com o Ciência Viva - Programa de Ocupação Científica nas Férias, o Departamentos de Biologia ofereceu a 12 jovens pequenos projectos de investigação em diferentes ramos da Biologia, desde a Genética Molecular, à Biotecnologia Molecular e Vegetal, à Bioquímica e até à Fisiologia Molecular de Plantas e Microbiologia em vários laboratórios.

Os projectos apresentados aos jovens foram ‘A impressão digital do DNA’, ‘O bago da uva: uma fábrica bioquímica complexa’, ‘Biotecnologia e microrganismo - produção de cerveja e iogurte’, ‘Caracaterização da expressão de um gene utilizando genes repórter’, ‘Aplicação da citometria de fluxo (técnica citológica avançadas) ao estudo de população de leveduras’.

A Secundária de Vila Verde, a Secundária de Joane, em Famalicão, o colégio D. Diogo de Sousa e a Secundária de Maximinos, em Braga, e as secundária das Taipas e Martins Sarmento, em Guimarães, foram as escolas que participaram nos projectos.

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