O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, apelou ontem a todos os cidadãos que se abstenham de condutas que ponham em perigo a floresta, que ponham em perigo bens e pessoas”.
O governante passou ontem pelos distritos de Braga e Viana do Castelo, onde se reuniu com os responsáveis distritais da Protecção Civil.
Rui Pereira deixou palavras de incentivo e reconhecimento a todos os que “tem combatido, dedicadamente, os fogos” e “têm dado o seu melhor”, incluindo não só os bombeiros, Força Especial de Bombeiros, elementos do SEPNA e do GIPS da GNR, Forças Armadas, Sapadores Florestais, GAUF e órgãos de polícia criminal.
“Com condições climatéricas adversas temos dado uma resposta competente, o que leva a que em termos de área ardida estejamos muito abaixo do que se verificou o ano passado” afirmou o ministro, em Braga.
Aos portugueses, Rui Pereira apelou “ao sentido de responsabilidade” porque “nestas condições adversas promover um fogo é de grande irresponsabilidade”
“Devemos honrar o nosso lema que é Portugal sem fogos depende de todos” afirmou o governante, que sublinhou que “hoje, felizmente, a nossa capacidade de resposta é muito melhor do que em 2005 ou 2006”.
Questionado sobre os incêndios que têm deflagrado durante a noite no distrito de Braga, Rui Pereira admite que “há preocupação”, até porque “desde há muito sabemos que mais de 90 por cento dos fogos têm origem humana”.
“Claro que a maioria não é provocada intencionalmente, mas há muitos comportamentos negligentes e, mesmo alguns dolosos, e para isso também contamos com o esforço e grande competência já demonstrada pelos órgãos de polícia criminal” afirmou o ministro, apontando que “as forças de segurança têm desenvolvido um trabalho exemplar em relação à perseguição dos crimes negligentes”.
Sobre dois aviões italianos que ontem chegaram a Portugal, o ministro esclareceu que não “é b
em uma ajuda internacional”, já que Portugal faz parte de uma mecanismo de ajuda a nível da União Europeia (MIC) que possui certos meios que são comuns e que são predispostos e adjudicados aos países que enfrentam maiores dificuldades”.
Esse mecanismo de entreajuda, de acordo com a nossa solicitação, decidiu colocar dois aviões para reforçar os nossos meios pesados, explicou.
O mesmo se passa em relação a Espanha, já que existe um protocolo de colaboração transfronteiriça. “Os aviões portugueses podem actuar em Espanha e os aviões espanhóis podem actuar em Portugal e neste momento também estão a actuar em Portugal dois aviões espanhóis. Isso permite a multiplicação dos nossos meios pesados” acrescentou.
“Não se trata de nenhum pedido de ajuda internacional motivado pelo desespero ou coisa parecida” salvaguardou.
Dois concelhos activam planos municipais de emergência
Foram ontem activados os Planos Municipais de Emergência em Viana do Castelo e Arcos de Valdevez devido à ocorrência de inúmeros incêndios.
Em Viana do Castelo, o Plano de Emergência foi accionado, até 3 de Agosto.
“Esta situação excepcional fica a dever-se ao número elevado de incêndios ocorridos nos últimos dias no concelho e às previsões meteorológicas que apontam para temperaturas elevadas e baixo teor de humidade até ao dia 03 de Agosto” justificou o município de Viana do Castelo.
O objectivo é “assegurar as condições favoráveis para um rápido acesso a meios e recursos disponíveis no concelho, assim como a prevenção de riscos e o socorro a pessoas em perigo”, acrescenta.
Devido à gravidade da situação, também a Câmara Municipal de Arcos de Valdevez activou ontem o Plano Municipal de Protecção Civil e destacou 40 cantoneiros, equipados com ferramentas de sapadores florestais, retro-escavadoras e motos-serras, solicitando a mobilização de tractores agrícolas e suas alfaias a todas as freguesias e proprietários, para ajudar no combate aos incêndios no concelho.
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