“Querem acabar com comércio de proximidade”

Braga

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Patrícia Sousa

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Para quê empreender ou investir no centro da cidade? Esta é a conclusão a que o presidente da Associação Comercial de Braga (ACB) chega perante a decisão favorável do Governo para a abertura da grande distribuição aos domingos e feriados durante todo o ano.

Domingos Barbosa, que falava sobre o assunto em conferência de Imprensa, acredita que “esta cedência aos interesses da grande distribuição prejudica, de forma deliberada, o pequeno comércio independente e de proximidade”. E explicou: “são mais 500 horas de abertura por ano em que vão trabalhar em regime de monopólio e o pequeno comércio não pode fazer frente”.

O presidente lamentou que esta medida seja “mais um passar a responsabilidade de fixar os horários de funcionamento dos centros comerciais para os municípios, o Governo ‘lava as mãos como Pilatos’, deixando que cada um faça como entender, ao arrepio da responsabilidade nacional das políticas da concorrência e do desenvolvimento económico”.
Aliás, acrescentou aquele responsável, “não se compreende como é que estão a querer implementar políticas de cidade e depois vêm fazer essas leis, sem sustentar em estudos que possam ter alguma credibilidade”.

“Ataque deliberado”

Domingos Barbosa, que esteve acompanhado dos vice-presidentes José Antunes e Mário Santos, acusou o Governo “de não se preocupar, é tudo à sorte, tal como tudo que tem feito, não estudam nem sustentam as decisões. É uma ataque deliberado às PME’s e ao empreendedorismo, facilitando a empregabilidade precária”.

E foi mais longe: “avançar para a alteração das regras de funcionamento dos centros comerciais sem estarem devidamente analisados os resulta- dos do funcionamento destas estruturas e os seus impactos na vida das cidades e na economia local é, mais uma vez, decidir ‘no escuro’ ao arrepio de outras decisões”.

Perante este cenário, os comerciantes “não podem fazer frente, porque o centro da cidade funciona num todo, em forma de sistema integrado, onde outros serviços, desde culturais a transportes, também têm que funcionar. Desta forma, o comércio independente para estar em funcionamento o mesmo período de tempo requer que os centros urbanos neste período estejam iluminados, limpos, policiados e que as actividades culturais, de turismo e de lazer possam também ser realizadas”.

Comércio tradicional é “almofada social”

Esta medida só mostra, na opinião do presidente da ACB, “a má vontade dos responsáveis e bem contrariar tudo o que está a ser implementado”. Por isso concluiu: “compreende-se que ninguém quer investir na cidade, porque hoje dizem uma coisa e amanhã fazem outra”. Os empresários que, ao longo de vários anos, “investiram na modernização dos seus estabelecimentos comerciais, confiaram numa po- lítica de cidade que está a ser completamente adulterada e que vai comprometer futuros investimentos no centro da cidade”, lamentou.

E com a deslocação do hospital do centro da cidade “a situação vai complicar-se”, acredita.
Sobre os números de emprego que vão ser criados, Domingos Barbosa diz tratar-se de “uma habilidade”. E justificou: “não vão criar emprego nenhum, vão é fazer um ajustamento de operários. O comércio tradicional é que funciona com almofada social, o emprego que eles disponibilizam é em part-time e precário. São bem conhecidas as condições de degradação e precariedade do emprego nas grandes superfícies comerciais”.

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