O café 'A Brasileira', um dos “ex-libris” de Braga, reabre terça-feira à tarde após obras de restauro e modernização que incluíram a criação de duas novas salas no andar superior, disse à Lusa fonte da empresa.
A gestora Elvira Pinheiro adiantou que a intervenção envolveu trabalhos de pintura, restauração do mobiliário, limpeza do interior e exterior do edifício, e renovação da cozinha: 'ficou como estava, com o mesmo mobiliário, as mesmas cadeiras, mas tudo pintado de fresco e renovado, ficou mais agradável e confortável', frisou.
O café, que faz terça-feira 102 anos, fechou em Setembro de 2008 para obras, no âmbito de um acordo com a ASAE - Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica que exigia a renovação da copa e da cozinha, nomeadamente a substituição das madeiras por material em aço inox.
Elvira Pinheiro salientou que as duas novas salas no segundo andar do edifício - situado no centro de Braga numa zona pedonal - se destinam a zona de fumadores e a salão de chá.
De noite, o espaço do segundo andar vai funcionar como bar a pensar numa clientela mais jovem.
Tal como no passado, o café quer continuar a ser um espaço de encontro e convívio de muitos bracarenses: 'Abrangemos um leque de clientela bastante amplo. De manhã, reúnem-se mais pessoas idosas; à tarde, temos, entre
outros, muitos professores e professoras; à noite é um público mais jovem', assinala.
O café 'A Brasileira' passou, desde a sua abertura, em 17 de Março de 1907, por quatro mãos. O fundador, Adolpho de Azevedo, um negociante portuense e vice-cônsul do Brasil em Braga, esteve à frente do estabelecimento durante 30 anos.
Em 1937, o café foi adquirido por Joaquim Queirós, que o manteve nas quatro décadas seguintes, integrando o vizinho café Sport (na parte mais baixa do café).
No Estado Novo (regime político que durou de 1933 a 1974 em Portugal e foi encerrado com a Revolução dos Cravos), foi aberto na outra esquina da rua um outro café, a 'Nova Brasileira', entretanto extinto. Naqueles anos, 'A Brasileira' era frequentada por opositores de António Salazar, e a 'Nova Brasileira' era procurada por simpatizantes do regime.
Em 1997, foi passado a Joaquim Domingos Godinho, até que, em 2004, foi vendido a Armindo Pinheiro e filhos, actuais gerentes.
Quando a casa abriu, em 1907, 'A Brasileira', além de café do Brasil, vendia vinhos finos engarrafados da Parceria Vinícola dos Lavradores do Douro e outros produtos.
Com o passar dos anos, foi ampliando a oferta de produtos e há cerca de oito anos introduziu o café expresso. Mas, geralmente, a 'Brasileira' é procurada pelo seu 'café de saco'.
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