Crianças enriqueceram feira à moda antiga

Braga

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Marlene Cerqueira

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No centro da cidade de Braga foi recriada ontem uma feira à moda antiga, iniciativa que este ano se destacou pela elevada participação de crianças. Foram os mais pequenos que deram vida à recriação de vivências de há cem anos, precisamente da altura em que foi implantada a República.
Nesta quarta edição, esta Feira à Moda Antiga foi o ponto alto das comemorações do Dia Mundial de Turismo, uma iniciativa da Divisão de Turismo da Câmara de Braga que por estes dias tem animado o centro da cidade.

“O nosso objectivo foi mostrar às pessoas como era uma feira há cem anos. As crianças estão a recriar algumas personagens dessa altura, como a luveira, o chapeleiro, a aguadeira e o galego”, explicou ao ‘Correio do Minho’ Filomena Alves, chefe da Divisão de Turismo da autarquia e a mentora desta iniciativa.
A responsável realçou ainda a presença de quatro ardinas que distribuíram cópias das edições de Outubro de 1910 do jornal ‘Maria Fonte’ (que integra o grupo editorial do ‘Correio do Minho’).

Ardinas distribuíram jornal ‘Maria da Fonte’ de 1910

João Pedro Cardoso, Duarte António Oliveira, Leandro Lopes e Duarte Vilaça, alunos da turma 3.ºE da Escola EB 1 da Sé, foram os ardinas de serviço e desempenharam o papel na perfeição.
Os quatro não se cansaram de apregoar: “Olha o jornal! Olha o jornal! Olha o Maria da Fonte!”.
Ao nosso jornal, os quatro amigos confessaram que ensaiaram na escola estes pregões para que tudo corresse bem. E correu.

Revelaram ainda que esta foi a primeira vez que usaram suspensórios, chapéu ou boina.
Da EB1 da Sé, veio também o grupo de bombos, um dos que animou musicalmente o evento.
A dar música estiveram também a ‘Camerata Republicana’ do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian e o grupo do clube de Cavaquinhos da EB 2,3 Francisco Sanches.

Destaque ainda para a participação do Tin-Bra — Grupo de Teatro Infantil de Braga que surpreendeu positivamente quem passava ou passeava por esta feira à moda antiga.
Entre frutas e legumes, galinhas e coelhos, flores e plantas... as lavradeiras da região venderam os produtos da terra e ostentaram os trajes a lembrar o antigamente.
Em redor do chafariz da Arcada, as vendedoras do mercado municipal vestiram o traje de lavradeira e instalaram-se a vender “o que a terra dá”.

‘Quinhas’ Ferreira, moradora em Martim, garantiu-nos que tudo o que estava a vender era do seu quintal lá de casa.
“As galinhas vieram da capoeira. Uma é para vender, mas a preta é para sortear. É 50 cêntimos cada rifa e garanto que ela vai sair a alguém. Os coelhos também são criados por mim. O resto, as batatas, as uvas, o feijão verde... é tudo cultivado por mim”, garantiu-nos esta lavradeira.

Desfolhada fez sucesso

Se de manhã foi uma feira à moda antiga a ocupar o centro da cidade, da parte da tarde a Praça da República parecia mais uma eira agrícola onde, em apenas 15 minutos, muitas dezenas de pessoas desfolharam um grande carro de milho.
O início da desfolhada tradicional estava marcado para as 16 horas de ontem, mas o elevado número de pessoas que ali se juntaram para desfolhar o milho fez com que a organização antecipasse alguns minutos a iniciativa.

Tombado o carro de bois — com recurso à força dos braços dos homens— bastaram quinze minutos para desfolhar um carro de milho. “Tivemos de colocar aqui pessoas a guardar o milho, porque toda a gente queria levar uma espiga. A ansiedade para desfolhar era tanta que tivemos mesmo de começar a desfolhada antes da hora marcada. As pessoas até faziam fila!”, justificou José Torres, presidente da Direcção da Associação dos Artesãos do Minho, entidade que colabora com a Divisão de Turismo da Câmara de Braga nas iniciativas alusivas à comemoração do Dia Mundial do Turismo.

Como já aconteceu no ano passado, o milho foi colhido numa quinta em Santa Lucrécia de Algeriz e cada pessoa levou para casa as espigas que desfolhou.
Maria Aurora Sousa foi uma das muitas dezenas de pessoas que aproveitaram para matar saudades dos tempos de antigamente. “Passei ontem (domingo) por aqui e vi o carro de milho. Disseram-me que a desfolhada era hoje e eu meti-me no autocarro de propósito para vir cá desfolhar umas espigas”, disse, mostrando três espigas de milho.

Maria Aurora confessa que a infância não foi fácil “nas terras de Basto” e que para ela a lida dos campos não tem segredos. “Trabalhei muito na terra e no monte. Era o modo de vida de antigamente”, recordou. Desde que enviuvou veio viver na ca-pital minhota para junto da filha mais velha, Gracinda. “A lavoura lá ficou. Agora nem uma horta tenho, porque nos apartamentos não dá para isso. Mato as saudades da terra de vez em quando ao fim-de-semana”, contou.

Quem também marcou presença nesta desfolhada foi o ATL da associação ‘A Bogalha’, com os meninos da tarde. “Gostamos muito de participar nestas iniciativas do Posto de Turismo”, confessou a educadora Anabela Mesquita.

Câmaras de mãos dadas na promoção turística

A comemoração do Dia Mundial do Turismo ficou ainda marcada pela apresentação pública do roteiro ‘Património e Lazer — Dicas para Visitas’, que resulta do trabalho conjunto dos técnicos responsáveis pelas divisões de Turismo dos Municípios de Braga, Amares, Barcelos, Guimarães, Terras de Bouro e Vieira do Minho.

Para o vice-presidente da câmara bracarense, este foi um dos momentos altos da comemoração do Dia Mundial do Turismo. Vítor Sousa considerou que “esta é a melhor forma de dar a conhecer as nossas potencialidades turísticas”, pois é fundamental “ter capacidade para fixar os turistas”, algo que só se consegue “a trabalhar de mãos dadas”. “Este é o primeiro passo de uma aposta colectiva na promoção das potencialidades turísticas destes concelhos, mas estamos abertos a que outros municípios se juntem a nós”, referiu Vítor Sousa.

Inquérito esteve na origem do roteiro

Já Filomena Alves, chefe de Divisão de Turismo da Câmara de Braga, explicou que este roteiro surgiu na sequência de um inquérito elaborado em Julho de 2009 aos turistas que passaram pelo Posto de Turismo de Braga.

“Perguntámos aos turistas que locais pretendiam visitar a partir de Braga e assim chegamos aos concelhos que desafiamos para se juntarem a nós nesta iniciativa. As respostas indicaram-nos, sem sombra de dúvida que, a partir de Braga, os turistas vão sobretudo para Terras de Bouro, Guimarães, Amares, Barcelos e Vieira do Minho”, explicou a responsável, realçando igualmente que o grupo está aberto a que outros municípios se juntem ao projecto.

Roteiro on-line e com georreferenciação

Do trabalho conjunto saíram estes roteiros que também estão disponíveis on-line e que tem a mais-valia de ter as coordenadas de georreferenciação, imprescindíveis numa altura em que o GPS está generalizado.
Cada município tem o seu roteiro em que sugere ao turista visitas, durante a manhã, nos locais de interesse da sua localidade. Nas tardes é sugerido aos turistas que visitem pontos de interesse nos outros concelhos vizinhos.

Entidade Regional de Turismo elogia trabalho de grupo

A representar a Entidade Regional de Turismo Porto e Norte de Portugal esteve Júlio Meirinho que louvou o trabalho de grupo feito pelos seis concelhos, lembrando que é precisamente isso que se pretende em termos de promoção turística da região.

O responsável referiu que há 15 dias deu entrada uma candidatura ao Programa ON 2— cuja aprovação está garantida — no valor de 300 mil euros destinada exclusivamente a materiais promocionais. Realçou que este roteiro será também impresso e distribuído pela Entidade Regional, concretamente nas Lojas de Turismo que começaram já a ser criadas (a próxima abre até ao fim do ano no aeroporto Sá Carneiro, no Porto, e há já uma a funcionar em Santiago de Compostela).

De realçar que os representantes dos municípios e da Entidade Regional de Turismo marcaram presença na apresentação do roteiro ‘Património e Lazer — Dicas Para Visitas’ participaram também na visita à feira à moda antiga.

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