Euro/Crise: Sombra grega continua a pairar sobre ministros europeus das Finanças

Economia

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Manuel F. Costa

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Os ministros das Finanças da zona euro e União Europeia iniciaram uma reunião de dois dias, com os mercados a recear ainda o incumprimento grego, receios que os titulares europeus das finanças hoje pouco fizeram para dissipar.

Vítor Constâncio, vice-presidente do Banco Central Europeu, ainda tentou dar o mote à entrada do conselho dos ministros da zona euro (Eurogrupo), quando disse esperar uma solução para o problema grego até ao final do mês, quando “tudo ficar esclarecido e executado”, referindo-se à atribuição a Atenas de um segundo pacote de resgate, que os líderes europeus decidiram a 21 de julho.

Com as verbas ainda bloqueadas, e Constâncio a afirmar que a reunião de hoje “é para decidir o que é necessário para completar a execução das medidas anunciadas a 21 de julho”, duas coisas mais deveriam ter indicado aos responsáveis das Finanças a gravidade do impasse grego - a hora precoce a que o conselho começou (07:30 horas locais, 06:30 horas de Lisboa) e, sobretudo, a presença do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner.

Washington receia que a crise grega galgue as fronteiras do euro e contagie a economia americana e Geithner, que não fez declarações à imprensa à entrada para o encontro, não ouviu palavras tranquilizadoras dos colegas europeus que falaram.

Jacek Rostowski, ministro polaco das Finanças, já tinha avisado antes do conselho que “uma coisa é certa, Geithner não veio aqui só para apanhar cogumelos nas nossas bonitas florestas”, mas os ministros da zona euro também não parecem acusar a pressão para desbloquear o segundo resgate grego ou mesmo as sexta ‘tranche’ - de oito mil milhões de euros - do primeiro auxílio.

Maria Fekter, ministra austríaca das Finanças, que disse acreditar que a próxima ‘tranche’ possa ser paga em outubro, alertou que “'se tivermos uma situação que demonstre que a solução para o país é mais dispendiosa que uma alternativa, devemos refletir sobre essa alternativa', com os mercados a assumir que Fekter se referia a uma reestruturação da dívida grega.

Atenas já avisou que só tem dinheiro até outubro, mas os credores recusam mais financiamento mais enquanto não considerarem que a Grécia fez as reformas estruturais suficientes.

Com os contribuintes finlandeses a queixarem-se de terem de financiar os pacotes de resgate, a ministra das Finanças da Finlândia - que com a Eslováquia e a Holanda surge entre os maiores opositores à atribuição imediata das verbas à Grécia - deixou poucas esperanças quanto a uma solução para a exigência de garantias especiais gregas para Helsínquia financiar o segundo resgate.

“Acho que vamos negociar o tema, mas infelizmente não vejo como encontrar uma solução esta noite”, afirmou Jutta Urpilainen, com o ministro belga das Finanças, Didier Reynders, a responder que Helsínquia não terá tratamento especial.

'Se a Finlândia quiser garantias terá, obviamente, um rendimento mais baixo” nos títulos de dívida grega, afirmou o belga, apoiado por Maria Fekter, que insistiu que o aumento de garantias “deveria estar aberto a todos” e que “a solução terá que ser acessível a todos e aos países que queiram”.

Em Wroclaw, o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, saudou também como “um pilar de estabilidade e confiança” as medidas coordenadas dos bancos centrais dos Estados Unidos, Japão, Reino Unido e Suíça, entre outros, para suster a dívida soberana dos países europeus.

Depois da reunião do Eurogrupo, aos 17 ministros da zona euro juntam-se os restantes 10 ministros das Finanças da União Europeia, para um Conselho informal que se prolonga até sábado à tarde.

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