Moradores querem ser compensados pelo impacto ambiental das energias renováveis

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A Universidade do Minho coordena o primeiro estudo nacional para determinar o valor monetário dos impactos ambientais da instalação de centrais eólica, hídrica, fotovoltaica ou de biomassa. A meta é que o Governo passe a integrar o valor monetário daqueles impactos sobre o bem-estar das populações locais quando decidir investir em projetos semelhantes.
 
A chamada “valoração ambiental” é comum nos EUA, quer nas decisões do Governo como dos tribunais. Na UE há recomendações nesse sentido, mas a sua aplicação é incipiente, diz Lígia Pinto, professora da Escola de Economia e Gestão da UMinho e coordenadora da investigação “Valoração económica dos impactos ambientais de energias renováveis”, apoiada pela FCT e pelo Compete-QREN para 2012/15.

A instalação deste tipo de estruturas está normalmente sujeita a um estudo de impacto ambiental baseado na opinião qualitativa de especialistas.

“O que propomos é apurar uma medida monetária dos impactos ambientais, isto é, perguntamos à população local o quanto estaria disposta a ser compensada e, ao público em geral, quanto estaria disposto a pagar para evitar cada tipo de impacto num quadro multi-atributo”, realça a docente. “O nosso estudo não diz aos decisores se é mais eficiente investir nas renováveis por contraponto a outras. O objetivo é fornecer mais um elemento para integrar a decisão política”, justifica a cientista do Núcleo de Investigação em Microeconomia Aplicada.
 
Da “floresta de ferro” ao “gigante de betão”
 
O estudo decorreu nos parques eólicos da serra d’Arga (Caminha), das Terras Altas de Fafe e da serra da Padrela (Vila Pouca de Aguiar), bem como nos parques fotovoltaicos da Amareleja (Moura), Brinches (Serpa) e Ferreira do Alentejo, nas barragens da Bemposta e Picote (Douro internacional) e na barragem prevista para Almourol (Vila Nova da Barquinha), além de algumas centrais de biomassa dedicadas (florestal). O trabalho incluiu inquéritos nacionais, entrevistas presenciais, grupos de foco e recorreu a métodos de economia experimental, entre outros.
 

Em termos de conclusões preliminares, os residentes identificaram impactos negativos daquelas estruturas, sobretudo para a fauna e flora locais. Nas eólicas, as populações do Norte, alvo de maior concentração de aerogeradores, sentiram-se mais incomodadas pelo ruído e impacto visual. “Sentem alguma justiça em ser compensados por viverem junto a algo que produz benefícios ambientais para todos”, assinala a economista. Nas fotovoltaicas, os moradores acham que devem ser ressarcidos dos impactos provocados em particular pelo reflexo da luz e pela ocupação do espaço: “Na Amareleja, chamam-lhe a ‘floresta de ferro’, pois havia ali um olival”. Sobre as barragens, designadas por “gigantes de betão”, as opiniões divergem: “Dizem que altera a paisagem e reduz áreas agrícolas, patrimoniais e de lazer, mas atrai em simultâneo turismo”, esclarece Lígia Pinto. No caso de Almourol, em discussão pública, a maioria dos populares “até desconhecia estar em zona que poderia eventualmente ser alagada”.
 
Seguem em anexo fotos de Lígia Pinto e de algumas instalações.
 

*** Nota do Gabinete de Comunicação, Informação e Imagem da Universidade do Minho ***

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