AF Braga pode dar o salto histórico para os 25 mil atletas

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Paulo Machado

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P - Numa altura em que a AF Braga assinala o 94.º aniversário está patente a estabilidade fruto da recondução que teve para este segundo mandato sem qualquer oposição?
R - A AF Braga celebra uma data histórica e que simboliza o crescimento ao longo dos anos. Nesta data é importante recordar os fundadores e aqueles que deram parte da sua vida à associação. É verdade que a AF Braga tem crescido e tudo se deve ao empenho revelado pelos clubes, não só pelo número de clubes inscritos mas também pelos feitos alcançados a nível do futebol distrital e muito particularmente no futebol nacional.
P - O que é que a AF Braga tem a ganhar com os feitos dos clubes?
R - Os clubes são a vida da AF Braga. Entendo que a dinâmica na vida deve ser objecto de uma atenção permanente no sentido de valorizar o que é importante na vida e neste caso é o futebol. Estamos a falar da vertente desportiva e nela está ligada a vertente social, humana e cultural.

P - Actualmente regista-se a presença de três clubes na I Liga de Futebol e mais seus na II Liga, o que resulta num total de nove clubes nos quadros profissionais. É uma marca significativa?
R - É claramente uma marca significativa que nos engrandece e prestigia, mas tudo isso resulta de um trabalho de base dos clubes. Repare que nos últimos cinco anos a AF Braga esteve presente em quatro finais nacionais, fruto do trabalho efectuado pelo SC Braga e Vitória de Guimarães. Nessas quatro finais ganhámos três troféus. O Braga ganhou uma Taça da Liga e uma Taça de Portugal ao FC Porto e o Vitória ganhou uma Taça de Portugal ao Benfica. São feitos que importante realçar e perante adversários de enorme prestígio. Sabemos que isso não é muito normal, principalmente, numa Associação de Futebol que é confrontada com o poderio de Porto e Lisboa. E tenho uma grande honra em representar os clubes da nossa região. Tudo isto resulta de um trabalho de base, principalmente ao nível da formação e é partir daí que a AF Braga se evidencia como a terceira maior do país.

P - Existe algum tipo de contrapartidas financeiras?
R - Logicamente existem as verbas atribuídas a partir do Contrato Programa com a Federação, as verbas relacionadas com os jogos da Selecção Nacional e verbas referentes aos jogos da Taça de Portugal resulta do ranking das Associações.

P - A AF Braga está em terceiro lugar nesse ranking, aspira em chegar a segundo ou até primeiro lugar?
R - É uma questão que pode ser respondida através de um trabalho de desenvolvimento que está a ser feito e resulta do decreto-lei 45/2015 de 9 de Abril. O Governo atribui a todas as federações desportivas a exclusividade de organizar provas, neste caso estamos a falar de futebol. Nesse sentido, a Federação Portuguesa de Futebol será a tutela principal e por consequência as Associações de Futebol que estão filiadas. O Governo 'chutou' para cima da Federação a responsabilidade de uniformizar todo o sistema de provas, na medida em que existe muitas provas organizadas fora do contexto do futebol federado.

P - O que está a ser feito para resolver essa situação?
R - Há necessidade de moralizar as pessoas para a prática desportiva, nomeadamente ao nível da realização de exames médicos e seguros. Na regaço norte, por exemplo, temos a prática do futebol popular com enorme consistência e aquilo que está a ser feito é um trabalho de inclusão desses praticantes na família do futebol. Quando isso acontecer, a AF Braga pode passar de 18 mil atletas para mais de 24/25 mil atletas e é nesse sentido que pode acontecer uma mudança de ranking e seria o salto histórico para a AF Braga. É nesse sentido que estamos no terreno para a celebração de protocolos com a Federação, AF Braga, Associações de Futebol Popular e Câmara Municipais. Embora esses atletas continuem a participar nas mesmas provas passam a contar como atletas da AF Braga, da Federação e da UEFA.

P - A AF Braga já deu passos com os municípios de Fafe, Barcelos e Famalicão…
R - Estamos a ser uma espécie de ponta-de-lança da Federação no terreno. Felizmente tenho um excelente relacionamento com o poder local e aceitação tem sido plena pela parte dos municípios de Braga, até porque no fundo estamos a proceder uma alteração que resulta da lei e com o objectivo de incluir e não excluir, engrandecendo a família do futebol. Esta lei não foi feita por nós, mas sim pelo Governo.

P - Acha que será fácil, depois, a aplicação desta lei no terreno?
R - Não há razões para problemas, até porque existe ainda um outro interveniente por indicação do IPDJ que é a ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica) que assume o papel de fiscalizar para ver quem está em conformidade ou não. Por isso, na sequência de um estratégia definida pelo presidente Fernando Gomes, estamos a fazer este trabalho de uma forma sensata, cuidada, cordial e com diálogo. Estamos a fazerem trabalho de inclusão e não se pretende colocar a ASAE em campo com as armas apontadas e punir aqueles que não praticam a lei.

P - Com este acréscimo do número de atletas, há perspectivas da AF Braga subir no ranking das associações?
R - Há perspectivas porque algumas associações ainda estão renitentes em aderir a esta lei. Em Braga estamos a resolver este problema de uma forma consensual e pacífica, com entendimento das câmaras.

P - Na próxima segunda-feira realiza-se uma assembleia geral para propor o plano de actividades para 2017. Há alguma novidade a apresentar?
R - Importa destacar o cuidado da AF Braga em realizar provas lúdicas de traquinas e petizes, porque estavam a ocorrer algumas provas laterais fora do futebol federado. Por directivas da UEFA, estas provas não contemplam classificações e nesse sentido realizaremos jornadas concentradas. As equipas têm de proceder a respectiva inscrição, mas não pagam qualquer taxa à excepção dos seguros de cada atleta pois não cobramos nada pela inscrição das equipas nestes escalões. As taxas de inscrição das equipas apenas são cobradas a partir dos escalões de benjamins.
P - O número de árbitros tem acompanhado o crescimento do número de equipas?
R - Neste último anos registamos o abandono de alguns árbitros e é uma questão que nos preocupa, na medida em que damos as melhores condições de treino aos árbitros ao contrário de outras associações. Temos centros de treino, psicólogos, nutricionistas, enfermeiros e protocolo com a Universidade do Minho que resulta de um investimento para possibilitar um potencial maior na formação e qualidade dos árbitros. Convém sublinhar que o Conselho de Arbitragem tem feito um trabalho notável nas exigências que define na captação de jovens árbitros. Há um trabalho conjunto com os núcleos que são a base essencial na formação dos novos árbitros. Mas, ainda assim, precisamos de mais árbitros.

P - E como está a aposta no futebol feminino?
R - Sentimos um novo impulso para o futebol feminino, tal como já o tivemos, perdemos e estamos a recuperar. As referências são sempre importantes e com a aposta da Federação e o surgimento do SC Braga com uma equipa na I Divisão vem ajudar ao surgimento de novas equipas. A passagem da selecção de Portugal à fase final do Europeu do Futebol Feminino foi um grande feito e naturalmente é muito importante para a sua promoção. Todavia, também é importante que se faça formação.

P - Esse aspecto está mais descurado?
R - Vamos agora arrancar com uma prova extraordinária, com regulamento específico, e contamos com a participação de dez equipas no escalão de sub-17 em futebol feminino. No entanto, é irreversível o entendimento entre as associações de futebol e a coordenação do desporto escolar, como já aconteceu há uns anos. Antigamente, as crianças saiam às quartas-feiras das escolas para praticarem desporto e hoje isso não acontece. Essa é uma matéria que tem de ser repensada…

P - Mas a captação de jovens para o futebol está mais facilitada com o aparecimento de várias escolas de futebol?
R - É certo que proliferam várias escolas de futebol, mas chamo a atenção que as escolas de formação no futebol terão de ser certificadas como clubes de formação. O SC Braga e Vitória de Guimarães já estão certificados, e na mesma linha seguem-se o Vizela, Fafe e Moreirense que já cumpriram os requisitos para serem reconhecidos pela Federação como clubes de formação. Só a partir daí é que estes clubes podem fazer contratos de formação com os atletas e estamos certos que isto vai atingir o futebol distrital, nomeadamente nas escolinhas. Sabemos que hoje em dia há vários projectos de escolinhas de futebol pretendem fazer contratos de formação com os atletas mas a partir de agora só o podem fazer quem estiver devidamente credenciado para o efeito.

P - No futebol, demora a vingar a aposta ao nível do futsal distrital?
R - Isso acontece mas não é pela falta de vontade dos clubes. O problema está nos horários de disponibilidade dos pavilhões. Há clubes que desistiram porque não tinham horários para treinar, sendo que o futsal implica que seja praticado em pavilhões. Os espaços não muitos e depois há sempre outras modalidades que acabam por se sobressair em relação ao futsal e também são praticadas em pavilhões.

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