“Eu acho que Deus votava em mim”

Braga

autor

Patrícia Sousa

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“Envolver-se na política é uma obrigação para um cristão. Nós, cristãos, não podemos fazer de Pilatos, lavar as mãos. Temos de nos meter na política porque a política é uma das formas mais altas de caridade. Porque procura o bem-comum. Os cristãos leigos devem trabalhar na política.”
in Papa Francisco

Apesar de ser oriundo de uma família de padres, que marcaram muito a sua vida, o presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, tornou-se um “crente não praticante”. Acredita que “não deixa de existir algo de divino em quem exerce cargos públicos, por ser um exemplo e trabalhar para o bem comum”. Mas o “grande segredo” para se chegar a presidente de câmara “não é esperar pela ajuda divina, é preciso muito empenho, dedicação e determinação”. Apesar disso, Rio tem “fé em continuar” como presidente nos próximos nove anos. E se Deus votaria nele? Acredita que sim.
Respondendo à pergunta ‘Na política há espaço para Deus?’, numa iniciativa promovida, anteontem à noite, do Centro Académico de Braga (CAB), Ricardo Rio defendeu que “não deve- mos entregar nas mãos de Deus o que compete aos homens”, mas acredita que “a essência humana tem que acreditar sempre em algo superior e pensar nisso em determinados momentos, por isso, essa crença é fundamental para enfrentar determinadas situações da vida”. Ricardo Rio admitiu mesmo que não tem “um diálogo formalizado numa oração ou numa ida à missa”, mas tem “momentos de reflexão”.
Apesar de considerar que é “comodista” dizer que “somos frutos das circunstâncias”, o certo é que o autarca acabou por “desvalorizar” a prática religiosa a partir do momento que entrou para a faculdade.
Durante a conversa, que foi moderada por Filomena Abreu, antiga secretária do CAB, Rio foi questionado sobre os momentos mais difíceis enquanto político. “Em 2005 e 2009 sai derrotado e foram momentos muitos difíceis. Mas o mais difícil foi mesmo a derrota de 9 de Outubro de 2009. Aí coloquei a hipótese se fazia sentido continuar”, confidenciou.
E o actual presidente continuou: “em 2005 tinha apenas 32 anos e era um miúdo, aí tinha consciência que era difícil, uma vez que o poder estava instalado há oito mandatos consecutivos”. Mas em 2009 assumiu que foi diferente. “Foi o corolário de quatro anos de trabalho na vereação, sempre com muita entrega. Em 2009 estava perfeitamente convencido que íamos ganhar. Foi uma campanha extraordinária e irrepetível”, lembrou. Mas o então presidente da autarquia “‘colocou toda a carne no assador’ e teve os 100 dias antes das eleições em inaugurações, acabando por vencer por mil votos e isso foi o morrer na praia”, desabafou Rio, levando-o, na altura, a equacionar “se valia a pena continuar”.
Olhando para trás, Ricardo Rio não olha com mágoa para essa altura. E atira: “o povo é soberano. O último mandato do anterior presidente foi francamente penalizador, tenebroso para a realidade local, mas para mim foi o fortalecer”. Mas valeu a pena? “O presidente da câmara de 2013 é melhor presidente do que seria em 2009. Foram quatro anos muito maus para a cidade. Em 2013 foi a vitória, foi a ressaca de 2009”.
Já os momentos fáceis foram muitos, assumiu. “Gosto muito de viver e dá-me um gozo tremendo ser presidente da câmara. Todos devemos procurar deixar uma marca, que pode ser na família mais próxima, na componente profissional ou no exercício de uma função pública. Temos que fazer algo que nos realize e tenha impacto em terceiros. É uma felicidade ser presidente de câmara e gostar daquilo que se faz”. E à pergunta se é vaidoso, Rio admitiu: “é impossível não se ser vaidoso. As pessoas têm que gostar desta exposição, não a vejo como um sacrifício. Mas não me rotularia nocivamente como vaidoso”.
A proximidade continua a ser a bandeira e a grande diferença da actual governação da cidade. “Recebo dezenas e dezenas de mensagens nas redes sociais e respondo. No poder local, há a lógica da proximidade e as questões partidárias acabam por ser menos importante. As candidaturas são feitas por pessoas, por projectos. E há uma partilha de visões do que é importante para a cidade e isso facilita muito o trabalho”, referiu o autarca, mostrando-se “orgulhoso” dos vereadores. “Cada um pode prestar contas das áreas que lidera. Há espírito de equipa. Antigamente havia um eucalipto e tido à volta não existia”, atirou.
Ricardo destacou ainda a proximidade com outros parceiros. Entre as universidades, hospital, instituições, aqui surgiu também a “visível aproximação” da autarquia à Igreja? Mas Rio foi peremptório: “Braga é a cidade dos arcebispos e a igreja tem uma intervenção incontornável na vida da cidade. A igreja está na componente social, patrimonial e cultural e há muito que nos une à igreja e temos que trabalhar em conjunto. Mas isso não quer dizer que haja uma relação de convergência contínua e é preciso saber gerir os conflitos”.
Sobre a vida familiar, Rio garantiu que não deixa de fazer o que tem de fazer em família. “Levo as minhas filhas todos os dias ao colégio e vou almoçar muitas vezes com elas. Elas até acham piada a estas coisas e acompanham-me muitas vezes e isso ajuda-me na ligação da componente familiar à política”.

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