Arte & Exposições

Provisoriamente Definitivos ou Definitivamente Provisórios

  • 2012-02-18

E se um dia um artista decidisse destruir as suas obras? E se isso fosse pretexto para levar mais longe a sua produção e pensamento?
Nos trabalhos de Hugo Canoilas sentimos uma indiferença perante a autoria e a utilidade de se proceder a uma assinatura final sobre o seu trabalho, que nos surge interligado numa continuidade circular e em expansão, detectando-se mais facilmente o gesto inaugural da sua origem do que o último momento da sua definitiva conclusão.

Justapondo pela primeira vez peças dos últimos anos e dispositivos de exibição programados para esta exposição, Hugo Canoilas desafia definições, géneros e suportes do trabalho artístico. Materiais de um estaleiro de construção civil convivem lado a lado com peças artísticas. As obras surgem incompletas, refeitas; baralham-se espaços e coordenadas. E o espectador, que fará? Entrar no jogo! Pelo jogo se coloca em perigo as convenções e se abre portas para a reconstrução permanente.

“Provisoriamente Definitivos ou Definitivamente Provisórios” irá apresentar nas galerias dos três pisos do Palácio Vila Flor um trabalho que data desde 2008, assim como um conjunto de pinturas elaboradas especificamente para esta ocasião. Estas pinturas que constituem a exposição que irá estar patente no Palácio Vila Flor realçam a pintura como um conjunto heterogéneo de linguagens justapostas e reflectem a multiplicidade de questões e práticas abordadas pelo trabalho desenvolvido por Hugo Canoilas.

No rés-do-chão, o visitante deparar-se-á com “Endless Killing” - uma pintura com 3,70 metros de altura e 100 metros de comprimento. Exposta anteriormente no Centro Huarte, em Espanha, esta pintura apresenta, num primeiro plano, um conjunto de 80 homens brancos que estão prestes a matar-se em cadeia num sentido da esquerda para a direita. No plano seguinte, desenvolvem-se no sentido inverso (da direita para a esquerda) um conjunto de acontecimentos e referências históricas. Estas, ao serem sobrepostas, destroem uma possível cronologia dos acontecimentos. Todos este acontecimentos são mediados pela história da pintura, que nos dá a ver uma determinada história da violência. A pintura, pensada como pintura panorâmica, será agora adaptada ao espaço, em forma de espiral, realçando a sensação de infinitude. No primeiro piso, duas grandes pinturas abstractas feitas sobre tecido encontram-se deixadas sobre o chão. O olhar animal, que não é convertido num olhar humano, intensifica o carácter existencialista da mostra, como acontece com o trabalho de Pollock. Assim, o racional é posto em dúvida em conjunto com o controlo e mapeamento do conhecimento. Na cave, um conjunto de pinturas formais estão suspensas num espaço negro, num formato adequado ao Modernismo e à ideia de pintura como suspensão. As costas destas telas suportam recortes de jornais sensacionalistas austríacos estabelecendo um diálogo entre um hiper-real, recurso conveniente quando se trata de informar a noção de real do público geral, e uma abstracção do mundo.

Em paralelo com a presente mostra será publicado “Paintings against Painting”, um livro de 128 páginas a cores onde serão abordadas diversas questões desenvolvidas ou suscitadas pelo trabalho de Hugo Canoilas. A publicação conta com o desenho e apoio editorial dos Atlas Projectos, textos de Ivo Martins e José Miranda Justo e uma conversa desenvolvida entre Claudia Pestana e Hugo Canoilas.

QUANDO
03 Dez 2011 a 18 Fev 2012
ONDE
Centro Cultural Vila Flôr, Guimarães
HORAS ESPECTÁCULO
Segunda-feira e Sábado das 09H às 13H e das 14H30 às 19H
Terça-feira a Sexta-feira das 09H às 20H

130 itens ver mais
1043 itens ver mais
77 itens ver mais

Tempo

Farmácias de serviço

Classificados

mapa do site

2008 © todos os direitos reservados ARCADA NOVA - comunicação, marketing e publicidade, S.A. | concept by: Cápsula - soluções multimédia